A Corumbá Concessões, que opera a Usina Hidrelétrica Corumbá IV, em Luziânia (GO), fez três dias de treinamento do seu Plano de Atendimento a Emergência (PAE), com palestras e um simulado de evacuação. A ação foi divulgada pela concessionária em 10 de novembro de 2025 e reuniu funcionários da usina, moradores e donos de imóveis próximos à barragem, com participação do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Luziânia.
Como foi o treinamento
Os participantes ouviram explicações sobre os avisos de retirada previstos no plano e percorreram as rotas de fuga até os pontos de encontro. O simulado incluiu cenários de acidente com feridos, e os tempos de deslocamento foram cronometrados. A equipe de meio ambiente da empresa também visitou localidades próximas, mapeadas como prioritárias no plano. A concessionária não informou o número de participantes nem o nome das comunidades visitadas.
Segundo a empresa, a barragem de Corumbá IV está classificada como de baixo risco e em situação normal. O treinamento, diz a concessionária, segue a Política Nacional de Segurança de Barragens e a resolução normativa da Aneel, agência que fiscaliza a segurança das barragens de usinas hidrelétricas.
O que é o PAE
A Lei federal 12.334, de 2010, que criou a Política Nacional de Segurança de Barragens, chama o documento de Plano de Ação de Emergência. A concessionária usa o nome Plano de Atendimento a Emergência. A sigla e a função são as mesmas: definir o que o dono da barragem faz numa situação anormal e quem deve ser avisado.
Pela lei, alterada em 2020 pela Lei 14.066, o PAE é obrigatório para barragens de dano potencial associado médio ou alto. O dano potencial mede o estrago que um rompimento causaria, e é diferente do risco, que mede a chance de algo dar errado. Uma barragem pode ter risco baixo e, mesmo assim, precisar de PAE por causa do que existe rio abaixo.
Entre o que a lei exige no plano:
- descrição da barragem e das possíveis situações de emergência;
- procedimentos para detectar e comunicar mau funcionamento ou ameaça de ruptura;
- mapa de inundação, com a delimitação da Zona de Autossalvamento (ZAS) e da Zona de Segurança Secundária (ZSS);
- cadastro atualizado da população que vive na ZAS;
- sistema sonoro, como sirenes, ou outra solução tecnológica de alerta;
- rotas de fuga e pontos de encontro sinalizados;
- treinamentos e exercícios simulados periódicos com a população.
Zona de autossalvamento
A lei define a ZAS como o trecho do vale abaixo da barragem em que não haveria tempo para as autoridades agirem numa emergência. Nessa faixa, cada morador precisa saber sair sozinho, pela rota indicada, até o ponto de encontro, e por isso o plano prevê alerta sonoro, rotas sinalizadas e simulados. A ZSS é o restante da área do mapa de inundação. Onde houver moradores na ZSS que a Defesa Civil não consiga alcançar a tempo, a lei manda a empresa estender a eles os mesmos recursos de autoproteção da ZAS.
O PAE deve ficar disponível no site do empreendedor, na usina e na Defesa Civil ou na prefeitura dos municípios atingidos pelo mapa de inundação. A lei também manda ouvir a Defesa Civil e representantes da população na elaboração do plano.
O que isso significa para quem está no lago
O mapa de inundação de uma barragem cobre o vale rio abaixo dela. Quem tem casa ou lote na margem do reservatório está acima da barragem. A ZAS de Corumbá IV fica no vale do Rio Corumbá a jusante da usina. Para quem mora, trabalha ou pesca nesse trecho, vale:
- perguntar à Defesa Civil de Luziânia ou à concessionária se o endereço está na ZAS;
- conhecer a rota de fuga e o ponto de encontro mais próximos;
- saber como soa o alerta e participar dos simulados.
Abaixo da barragem também fica a Área de Segurança Nacional, onde entrar, nadar ou pescar é proibido. A Corumbá Concessões atende pelos telefones (61) 3462-5200 e (61) 3462-5224.
A história e os dados técnicos da usina estão em Usina Hidrelétrica Corumbá IV, e as regras de uso do reservatório, em segurança no Lago Corumbá IV.




