A Usina Hidrelétrica Corumbá IV tem 129,2 MW de potência outorgada e fiscalizada, segundo o Sistema de Informações de Geração da ANEEL (dados de outubro de 2026). A usina fica em Luziânia (GO), entrou em operação em abril de 2006 e pertence 100% à Corumbá Concessões S.A., produtora independente de energia.
Foi a barragem dessa usina que formou o Lago Corumbá IV, com 173 km² de espelho d'água. Abaixo, os números técnicos, quem controla a empresa e as regras de segurança.
Potência: três números em circulação
A potência da usina aparece de três formas em fontes oficiais:
| Fonte | Potência |
|---|---|
| Corumbá Concessões, informações técnicas | 127 MW |
| ANEEL, SIGA | 129,2 MW |
| CEB Participações, Relatório 2022 | 129,6 MW |
São duas unidades geradoras. A Wikipédia descreve duas turbinas Francis de 64,8 MW cada, o que soma 129,6 MW, mas o verbete não traz referência. A garantia física registrada na ANEEL, que é a energia média que a usina pode vender, é de 72 MW médios.
Segundo a concessionária, a usina gera energia para cerca de 250 mil habitantes. A eletricidade segue por uma linha de transmissão de 138 kV, com cerca de 120 torres, até a subestação Santa Maria, no DF, e corresponde a cerca de 15% da demanda do Distrito Federal.
Barragem e vertedouro
A barragem fica nas coordenadas 16º19'22" S e 48º11'15" O, em Luziânia. Os dados da Corumbá Concessões:
- Tipo: barragem de terra e argila
- Comprimento: 1.290 m
- Altura: 76 m
- Largura na base: 400 m
- Largura no topo: 10 m
- Vertedouro: três comportas metálicas, capacidade acima de 2 milhões de litros por segundo e rampa de 420 m
O rio Corumbá, barrado pela usina, é afluente da margem direita do rio Paranaíba, na bacia do Paraná. A ANEEL registra a usina na sub-bacia 60, do Paranaíba. O nível normal de operação do reservatório é citado como 843,60 m pela UnB (2020) e 843,30 m por Mejia (UnB, 2007).
Concessão e outorga
A concessão foi dada por decreto federal sem número de 14 de novembro de 2000, publicado no Diário Oficial da União em 16 de novembro (Planalto). O texto define a Corumbá Concessões como produtora independente e prevê que os bens da usina voltem à União no fim do contrato.
A concessionária fala em concessão de 35 anos a partir de 2000. No cadastro da ANEEL, a outorga em vigor vai de 17 de agosto de 2017 a 3 de julho de 2040.
Segundo a Corumbá Concessões, a obra levou cinco anos, gerou 1,2 mil empregos diretos e 4 mil indiretos e foi inaugurada em 4 de abril de 2006. Outra página do mesmo site, a de história, fala em fevereiro de 2006. A ANEEL registra a entrada em operação em 1º de abril de 2006.
Quem são os acionistas
A página de acionistas da Corumbá Concessões lista seis sócios, sem percentuais:
- CEB Participações S.A.
- CEB, Companhia Energética de Brasília
- Caesb, Companhia de Saneamento Ambiental do DF
- Terracap, Companhia Imobiliária de Brasília
- Serveng Energias Renováveis S.A.
- uma pessoa física
Parte das fatias aparece nos balanços das empresas do DF:
| Acionista | Participação | Fonte |
|---|---|---|
| CEB | 32,52% | Balanço CEB 2024%20digi_MjsdP3.pdf) |
| CEB Participações | 1,5355% | Balanço CEB 2024 |
| Caesb | 6,1364% | Demonstrações Caesb 2025 |
Não encontramos fonte oficial atualizada para as participações da Terracap, da Serveng e do acionista pessoa física. O Distrito Federal controla a CEB, com 93,20% das ações ordinárias, segundo o mesmo balanço. Somadas, as fatias de CEB, CEB Participações e Caesb passam de 40%, todas empresas ligadas ao governo do DF.
A sociedade foi formada no início de 2000 pela CEB e pela Via Engenharia. A Via saiu depois e deu lugar à Serveng Civilsan e à C&M Engenharia, conta a concessionária.
Licenças e APP
O licenciamento começou na agência ambiental de Goiás, que emitiu a licença prévia em 1999, e passou ao Ibama em 2004. A licença de operação saiu em dezembro de 2005 e foi renovada pelo Ibama em abril de 2012, por seis anos. Em outubro de 2012 foi aprovado o PACUERA, o plano de uso do entorno do reservatório.
A Área de Preservação Permanente soma mais de 9.000 hectares. Em janeiro de 2023, a concessionária comunicou ao mercado que a ANEEL autorizou a redução da APP, pelo Despacho 3.656/2022 e a Nota Técnica 241/2022-SFF. Desde 1º de agosto de 2023, por determinação do Ibama, a empresa cerca a APP (o que é a APP). As regras de ocupação do entorno estão em ZREITA e PACUERA.
Segurança da barragem
A Corumbá Concessões mantém um Plano de Ação de Emergência (PAE) e publica a Declaração de Estabilidade da barragem. O PAE prevê cadastro de quem vive ou trabalha nas Zonas de Autossalvamento, abaixo da barragem, rotas de fuga, pontos de encontro, alarmes sonoros, treinamentos e simulados.
As águas acima e abaixo da usina são Área de Segurança Nacional. Segundo a concessionária, entrar, permanecer ou pescar ali é proibido, com base na Instrução Normativa Ibama 26/2009 e no Decreto 6.514/2008. A empresa alerta que o volume e a correnteza do rio Corumbá, abaixo da barragem, podem subir de repente.
Para saber como o lago se formou, leia a história do Lago Corumbá. Para entender o rio e as outras usinas, veja Rio Corumbá: nascente e usinas.
Perguntas frequentes
Qual é a potência da Usina Corumbá IV?
A ANEEL registra 129,2 MW. A concessionária informa 127 MW e a CEB Participações, 129,6 MW.
Quem é dono da Usina Corumbá IV?
A Corumbá Concessões S.A. detém 100% da usina. Entre os acionistas estão CEB (32,52%), Caesb (6,1364%), CEB Participações, Terracap, Serveng e uma pessoa física.
Até quando vai a concessão?
A outorga registrada na ANEEL vai até 3 de julho de 2040. Ao fim, os bens da usina voltam para a União.
A barragem de Corumbá IV é de concreto?
Não. É uma barragem de terra e argila com 76 m de altura e 1.290 m de comprimento.



