Há tucunaré no Lago Corumbá IV, e em quantidade. No levantamento de ictiofauna feito de 2002 a 2009 na área da usina e analisado pela PUC Goiás, ele foi o terceiro peixe mais capturado: 976 exemplares de tucunaré-amarelo e 5 de tucunaré-azul, de um total de 9.243 peixes amostrados. Entre os predadores, foi o dominante. Os dados estão na tese de Fernanda Capuzo Santiago (PUC Goiás, 2011).
O peixe não é nativo da bacia do Paranaíba, onde fica o lago. Por isso a lei de Goiás trata o tucunaré de forma diferente dos peixes da região: com licença, ele pode ser abatido e levado para casa sem limite de tamanho ou quantidade, desde que não seja vendido. A regra está na Instrução Normativa nº 17/2026 da Semad.
Este guia reúne o que se sabe sobre o tucunaré no Corumbá IV: de onde veio, as espécies, onde e quando pega, que iscas usar, o tamanho mínimo e a cota em Goiás. As regras gerais de pesca no lago estão em Pesca no Lago Corumbá IV.
Tucunaré no Corumbá IV: o que dizem os estudos
O reservatório da UHE Corumbá IV, inaugurada em abril de 2006, fica no Rio Corumbá, entre Luziânia, Alexânia, Abadiânia, Silvânia, Corumbá de Goiás e Santo Antônio do Descoberto. Quando o rio virou lago, a água ficou parada e mais quente na superfície. Esse ambiente favorece espécies de lago, como o tucunaré, e prejudica peixes de correnteza que precisam subir o rio para desovar.
A tese da PUC Goiás analisou coletas feitas a cada dois meses, entre setembro de 2002 e abril de 2009, na calha do Rio Corumbá e em 12 afluentes da área de influência da usina, período que inclui a formação do lago. O tucunaré apareceu como a terceira espécie em número de capturas, com 10,6% do total. Em uma das análises da pesquisa, 349 dos 637 peixes piscívoros contados eram tucunarés. Nos rios Areias e Corumbá, que formam o lago, a maior parte da biomassa de predadores era de tucunaré.
O programa de monitoramento da concessionária, a Corumbá Concessões, registra 48 espécies no lago desde 2018 e classifica o tucunaré como alóctone, isto é, peixe brasileiro trazido de outra bacia. O detalhamento das espécies está em Peixes do Lago Corumbá IV.
Os torneios confirmam o que os estudos mostram. O Tucuna Challenge, disputado de caiaque em Alexânia, reuniu 75 pescadores em setembro de 2023, cerca de 70 em julho de 2024 e 65 em setembro de 2025, segundo a Corumbá Concessões. Na prova, o pescador mede o peixe, fotografa e devolve ao lago. Os resultados e o calendário estão em Torneios de pesca no Lago Corumbá IV.
Como o tucunaré chegou ao lago
Não há registro público de quem soltou o tucunaré no Corumbá IV nem de quando. O que se sabe é que o peixe, de origem amazônica, foi espalhado por reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste ao longo de décadas, por peixamentos e solturas sem controle. Em lago novo e cheio de peixes pequenos, ele se estabelece rápido porque é predador ativo e protege os filhotes.
Hoje a soltura de espécie não nativa é proibida em Goiás. A IN 17/2026 veda soltar peixe exótico, alóctone ou híbrido e considera soltura o uso de isca viva dessas espécies. A Lei estadual nº 13.025/1997 prevê multa para quem introduz espécie exótica sem licença, e o Decreto federal nº 6.514/2008, no artigo 38, também pune a introdução de espécie sem autorização.
Tucunaré azul e tucunaré amarelo
O nome tucunaré cobre várias espécies do gênero Cichla. No Corumbá IV, as duas registradas são o amarelo e o azul.
| Tucunaré amarelo | Tucunaré azul | |
|---|---|---|
| Nome científico na norma de Goiás | Cichla kelberi | Cichla piquiti |
| Nome usado na tese da PUC (2011) | Cichla ocellaris | Cichla piquiti |
| Capturas na tese | 976 | 5 |
| Bacia de origem | Araguaia-Tocantins | Araguaia-Tocantins |
| Como reconhecer | Corpo amarelado, três faixas escuras verticais, pintas claras nas nadadeiras | Corpo azulado ou esverdeado, cinco faixas escuras verticais |
A diferença de nome entre a tese e a norma tem uma razão: a classificação do gênero foi revista nos anos 2000, e o tucunaré-amarelo dos reservatórios do Centro-Sul passou a ser identificado como Cichla kelberi. A IN 17/2026 usa esse nome no Anexo II, na lista de espécies não nativas da bacia do Paranaíba. Para quem pesca, é o mesmo tucunaré-amarelo, também chamado de borboleta.
O azul é raro no lago, pelo levantamento da PUC. Na bacia de origem, ele é a espécie que atinge porte maior. No Corumbá IV, quase toda captura é de amarelo.
Onde pega tucunaré no Corumbá IV
O tucunaré é um predador de emboscada. Ele fica perto de estrutura: galhada, árvore submersa, pedra, ponta de terra que entra na água, barranco com vegetação e bancos de macrófitas. Também caça em água rasa no começo e no fim do dia.
No Corumbá IV, essas estruturas aparecem em pontos que mudam com o nível do lago:
- Braços e enseadas. A tese da PUC registrou alta biomassa de tucunaré nos rios Areias e Corumbá, que desembocam no lago. Braços protegidos do vento costumam concentrar peixe pequeno, que atrai o predador.
- Galhada e paliteiro. Árvores que ficaram dentro do lago na formação do reservatório servem de abrigo. Com o lago baixo, parte delas fica exposta e o peixe se desloca para o trecho ainda submerso.
- Pontas e pedras. Pontas de terra com pedra e queda de profundidade são pontos de passagem.
- Margem com capim e vegetação. Na cheia, a água cobre capim e mato da margem, e o tucunaré entra nessas áreas.
O nível do reservatório varia ao longo do ano, e isso muda onde o peixe está. Na seca, de maio a setembro, a água desce, a margem recua e estruturas que estavam cobertas ficam à mostra. Na cheia, de dezembro em diante, a água avança sobre vegetação.
Quem pesca de barranco depende de acesso à margem. Muitos trechos ficam dentro de condomínios ou de propriedades particulares, e a faixa de APP do reservatório tem regras de uso. Acima e abaixo da barragem existe uma Área de Segurança Nacional, onde navegar e pescar é proibido, segundo a Corumbá Concessões.
Quando pega: melhor época e horário
O tucunaré é peixe de clima quente. Ele come mais com a água aquecida e fica menos ativo quando a temperatura cai. No Planalto Central, as noites frias de junho e julho esfriam a superfície do lago, e a atividade do peixe tende a cair nesses meses.
O calendário da pesca no Corumbá IV fica assim:
| Período | Situação legal | Comportamento do tucunaré |
|---|---|---|
| Março a maio | Pesca liberada, fim das chuvas | Água ainda quente, peixe ativo |
| Junho e julho | Pesca liberada, seca e frio à noite | Atividade menor, melhor nas horas quentes |
| Agosto a outubro | Pesca liberada, seca e calor | Água esquenta, época dos torneios |
| 1º de novembro a 28 de fevereiro | Piracema: só pesque-solte esportivo em reservatório | Chuva e água quente |
Os torneios no lago ocorreram entre abril e setembro, como mostra o histórico da Corumbá Concessões e do Circuito Goiano. Agosto e setembro, no fim da seca, concentram as provas.
No dia, os horários mais citados por pescadores são o início da manhã e o fim da tarde, quando o peixe caça em água mais rasa. Nas horas de sol forte, ele tende a ficar à sombra de estrutura ou em água mais funda. Vento forte agita a superfície e prejudica a isca de superfície.
Tucunaré na piracema
A piracema em Goiás vai de 1º de novembro a 28 de fevereiro, pela IN Semad 17/2026. Nesse período, a pesca amadora comum fica proibida. Em reservatório, como o Corumbá IV, o pesque-solte esportivo continua permitido, com vara, molinete ou carretilha, anzol sem fisga e devolução de todo peixe. Nem tucunaré pode ser retido. As datas e o que muda estão em Piracema em Goiás.
Isca artificial para tucunaré
A pesca esportiva de tucunaré no Corumbá IV é feita quase toda com isca artificial. A isca imita peixe pequeno, e o tucunaré ataca por instinto de caça e de defesa de território. Os tipos mais usados:
| Tipo de isca | Onde trabalha | Quando usar |
|---|---|---|
| Superfície (zara, hélice, popper) | Na lâmina d'água | Manhã cedo, fim de tarde, água calma |
| Meia-água (jerkbait, minnow) | De 0,5 a 2 metros | Sol mais alto, peixe abaixo da superfície |
| Shad e soft de silicone com jig head | Meia-água e fundo | Peixe em estrutura funda ou pouco ativo |
| Jig de penas | Perto de galhada e fundo | Peixe parado em estrutura |
| Colher (spoon) | Meia-água | Vento e área aberta |
Algumas orientações práticas:
- Cor. Em água mais clara, cores naturais (prata, verde, branco). Em água turva, como depois das primeiras chuvas, cores fortes e contraste.
- Tamanho. Iscas de 7 a 12 cm cobrem a maior parte das situações no lago, onde o tucunaré-amarelo predomina.
- Garateia. Iscas com duas garateias machucam mais o peixe. Em torneio e em pesque-solte, muitos pescadores trocam por anzol simples ou amassam a fisga.
- Isca viva. É proibido usar como isca viva qualquer espécie exótica ou alóctone, como tilápia, porque a norma de Goiás considera isso soltura. A ceva também é proibida.
O detalhamento de vara, carretilha, linha e iscas para outras espécies do lago está em Iscas e equipamentos para pesca no lago.
Pesca de tucunaré: equipamento básico
O tucunaré-amarelo do Corumbá IV é peixe de porte médio. Para ele, o conjunto mais comum é vara de ação média a rápida, carretilha de perfil baixo ou molinete, linha multifilamento e um líder de monofilamento ou fluorcarbono, que resiste ao atrito com a boca e com a galhada.
Equipamento de pesca embarcada exige a licença na modalidade embarcada. Lancha, barco a motor e jet ski exigem habilitação da Marinha e embarcação inscrita, e a Capitania Fluvial de Brasília fiscaliza o lago. O caiaque sem motor dispensa habilitação, mas o colete salva-vidas é recomendado.
Pesque e solte sem matar o peixe
Quem solta o tucunaré pode reduzir a mortalidade com alguns cuidados:
- tirar o anzol rápido, com alicate, sem deixar o peixe muito tempo fora da água;
- segurar o peixe pela boca e apoiar a barriga, sem pendurar peixe grande na vertical;
- molhar as mãos antes de pegar, para não tirar o muco que protege a pele;
- devolver o peixe na água e esperar que ele nade sozinho.
Bicheiro, puçá e alicate de contenção são permitidos pela IN 17/2026.
Tamanho mínimo e cota do tucunaré em Goiás
Esta é a parte que mais gera dúvida. Em Goiás, a regra para o tucunaré depende da bacia.
| Bacia | Situação do tucunaré | Tamanho | Quantidade |
|---|---|---|---|
| Paranaíba (inclui o Corumbá IV) | Não nativo (Anexo II da IN 17/2026) | Sem tamanho mínimo | Sem limite, com licença e sem venda |
| Araguaia-Tocantins | Nativo (Anexo I da IN 17/2026) | C. kelberi: 30 a 40 cm; C. piquiti: 30 a 50 cm | Cota zero, consumo de até 5 kg no local |
Na bacia do Araguaia-Tocantins, onde o tucunaré é nativo, a norma fixa uma faixa de tamanho permitido: abaixo do mínimo, o peixe é jovem; acima do máximo, é reprodutor e também deve voltar à água. No Corumbá IV, que fica na bacia do Paranaíba, essa faixa não se aplica.
Para o tucunaré do Corumbá IV, a IN 17/2026 diz:
- com licença de pesca em dia, o tucunaré pode ser capturado, abatido e transportado sem limite de tamanho e de quantidade;
- a venda é proibida;
- a cota zero, que impede levar peixe nativo pela estrada, não vale para ele;
- na piracema, de 1º de novembro a 28 de fevereiro, nem ele pode ser retido.
A regra já foi diferente. Em abril de 2018, uma operação do Ibama no reservatório apreendeu 110 quilos de peixe, a maioria tucunaré, em poder de nove pescadores, além de redes e tarrafas, segundo a Corumbá Concessões. Na época, a cota zero proibia transportar qualquer espécie. Redes, tarrafas e arpões continuam proibidos.
Para transportar o tucunaré, leve a licença. A IN 17/2026 exige comprovante de origem do pescado no trânsito, e a licença de pesca é um dos documentos aceitos. Como tirar a licença estadual e a federal está em Licença de pesca em Goiás.
Onde denunciar pesca irregular
Pesca com rede, tarrafa, espinhel ou em área de segurança da usina deve ser denunciada. Os canais são a Linha Verde do Ibama, 0800-618080, e a Corumbá Concessões, pelos telefones (61) 3462-5200 e (61) 3462-5224, que mantém fiscais de bacia no reservatório.
Perguntas frequentes
Tem tucunaré no Lago Corumbá IV?
Tem. No levantamento analisado pela PUC Goiás, o tucunaré foi o terceiro peixe mais capturado na área da usina, com 976 exemplares de tucunaré-amarelo e 5 de tucunaré-azul.
Qual a diferença entre tucunaré azul e tucunaré amarelo?
O amarelo (Cichla kelberi) tem corpo amarelado e três faixas escuras; o azul (Cichla piquiti) é azulado, tem cinco faixas e atinge porte maior. No Corumbá IV, quase todo tucunaré capturado é amarelo.
Qual a melhor isca artificial para tucunaré no lago?
Iscas de superfície funcionam no começo e no fim do dia; jerkbait, shad e jig rendem com sol alto ou peixe em estrutura. Isca viva de espécie exótica, como tilápia, é proibida em Goiás.
Qual o tamanho mínimo do tucunaré em Goiás?
Na bacia do Paranaíba, onde fica o Corumbá IV, não há tamanho mínimo: o tucunaré é espécie não nativa. Na bacia do Araguaia-Tocantins, a faixa é de 30 a 40 cm para o amarelo e de 30 a 50 cm para o azul.
Posso levar tucunaré do Corumbá IV para casa?
Pode, com licença de pesca em dia, sem limite de quantidade e sem vender, fora da piracema. De 1º de novembro a 28 de fevereiro, só o pesque e solte é permitido no lago.
Qual a melhor época para pesca de tucunaré no Corumbá IV?
Os meses quentes da seca, de agosto a outubro, e o período de março a maio. Em junho e julho, as noites frias reduzem a atividade do peixe.



