O monitoramento de peixes do Lago Corumbá IV registrou 48 espécies desde 2018, 24 delas inéditas para o reservatório. O levantamento é do Programa de Proteção da Ictiofauna, mantido pela Corumbá Concessões, empresa que opera a usina, e foi divulgado em novembro de 2023.
Das 48 espécies, 32 são nativas do alto rio Paraná, bacia à qual o lago pertence. Outras 11 são de outras bacias brasileiras e uma é exótica, de outro continente. Nenhuma está nas listas de espécies ameaçadas do Brasil ou da IUCN, segundo a concessionária.
Quais peixes o Corumbá IV tem
Os três peixes mais registrados no monitoramento recente são:
- Mandi-amarelo (Pimelodus maculatus), bagre de porte médio comum nos rios do Centro-Oeste;
- Piaba (Bryconops sp.), peixe pequeno de cardume;
- Cará (Satanoperca pappaterra), ciclídeo nativo da bacia do Paraná.
A concessionária informa que encontrou indivíduos jovens e adultos de várias espécies. Isso indica que os peixes estão se reproduzindo dentro do lago, e não só chegando pelos rios.
O estudo mais completo: 90 espécies no alto Corumbá
Antes do monitoramento atual, a região passou por quase sete anos de coletas. Entre setembro de 2002 e abril de 2009, equipes fizeram amostragens a cada dois meses na calha do rio Corumbá e em 12 afluentes, dentro da área de influência da usina. Os dados foram analisados na tese de doutorado de Fernanda Capuzo Santiago, da PUC Goiás, em 2011, com autorização da Corumbá Concessões.
Foram 9.243 peixes capturados, de 90 espécies, 21 famílias e 6 ordens. O rio Corumbá teve a maior riqueza, com 71 espécies. Depois vieram os rios das Antas (51), Descoberto (44), Areias (41) e Alagado (41), todos formadores do lago.
O número é maior que o do monitoramento atual porque o estudo abrangeu rios e afluentes, e não só o reservatório, durante um período mais longo. Os dois levantamentos não são diretamente comparáveis.
As espécies mais comuns no estudo da PUC Goiás
| Espécie | Nome científico | Exemplares | % do total |
|---|---|---|---|
| Curimbatá | Prochilodus lineatus | 1.888 | 20,4% |
| Lambari | Astyanax altiparanae | 1.039 | 11,2% |
| Tucunaré | Cichla ocellaris | 976 | 10,6% |
| Mandi-amarelo | Pimelodus maculatus | 781 | 8,5% |
| Cará | Satanoperca pappaterra | 666 | 7,2% |
| Cascudo | Hypostomus sp. | 481 | 5,2% |
| Piau | Leporinus friderici | 371 | 4,0% |
| Ximburé | Schizodon nasutus | 328 | 3,5% |
| Traíra | Hoplias aff. malabaricus | 293 | 3,2% |
| Peixe-cachorro | Galeocharax knerii | 288 | 3,1% |
Os percentuais das linhas seis em diante foram calculados sobre o total de 9.243 exemplares.
Peixes grandes de piracema ainda aparecem
A tese registrou espécies migradoras que dependem de rios livres para desovar, como o curimbatá e os piaus do gênero Leporinus. Também apareceram, em números pequenos, peixes procurados por pescadores:
- Dourado (Salminus brasiliensis): 92 exemplares;
- Piapara (Leporinus obtusidens): 79;
- Piranha (Serrasalmus cf. maculatus): 32;
- Pacu (Piaractus mesopotamicus): 11;
- Pintado (Pseudoplatystoma corruscans): 8;
- Piracanjuba (Brycon orbignyanus): 1.
A conclusão da autora é que a ictiofauna do alto Corumbá seguia diversificada e majoritariamente nativa, com grandes migradores presentes, apesar da barragem e do lançamento de esgoto doméstico e de efluentes da agropecuária.
Tucunaré no Corumbá IV
O tucunaré não é nativo da bacia do Paraná. Ele vem da Amazônia e foi introduzido em reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste. No estudo da PUC Goiás, foi o terceiro peixe mais capturado, com 976 exemplares de Cichla ocellaris e 5 de Cichla piquiti.
Entre os peixes que comem outros peixes, o tucunaré dominou: foram 349 dos 637 piscívoros contados em uma das análises da tese. Nos rios Areias e Corumbá, a maior parte da biomassa de predadores era de tucunaré.
Para o pescador esportivo, isso explica a fama do lago. Os torneios realizados no Corumbá IV, como o Tucuna Challenge em Alexânia, têm o tucunaré como alvo. Detalhes em Torneios de pesca no Lago Corumbá IV.
Pela norma de pesca de Goiás, a IN Semad nº 17/2026, o tucunaré está na lista de espécies não nativas da bacia do Paranaíba que podem ser abatidas e transportadas sem limite de tamanho ou quantidade, com licença e sem venda.
Tilápia no Lago Corumbá IV
A única espécie exótica registrada pela concessionária é a tilápia Coptodon rendalli, de origem africana. O estudo da PUC Goiás também encontrou, em números pequenos, a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus, 16 exemplares), a carpa (Cyprinus carpio, 13) e o bagre-africano (Clarias gariepinus, 9).
Assim como o tucunaré, as tilápias podem ser abatidas e transportadas em Goiás, segundo a IN 17/2026. A soltura de qualquer espécie exótica ou híbrida no lago é proibida.
Nativas, alóctones e exóticas: a diferença
Os estudos usam três categorias:
- Nativa (ou autóctone): espécie que ocorre naturalmente na bacia do alto Paraná. Exemplos no lago: mandi-amarelo, curimbatá, lambari, dourado.
- Alóctone: espécie brasileira trazida de outra bacia. O tucunaré, amazônico, entra aqui.
- Exótica: espécie de outro país ou continente, como a tilápia africana.
A concessionária classifica 11 espécies como alóctones e uma como exótica. A tese da PUC Goiás chama o tucunaré de exótico na bacia, usando o termo no sentido amplo. As duas fontes concordam que ele não é nativo.
O que fazer se encontrar peixe morto
A Corumbá Concessões orienta quem encontrar peixes mortos a suspender a pesca no ponto, não consumir o pescado e avisar a empresa pelo (61) 3462-5200. A concessionária coleta peixes e água para análises físico-químicas, de metais e de compostos orgânicos. Não encontramos registro público de mortandade de peixes no Corumbá IV.
Sobre a água do reservatório, veja Qualidade da água do Lago Corumbá IV. As regras de pesca, com piracema e cota zero, estão em Pesca no Lago Corumbá IV.
Perguntas frequentes
O Lago Corumbá IV tem peixe?
Tem. O monitoramento da concessionária registrou 48 espécies desde 2018, e um estudo de 2002 a 2009 nos rios formadores encontrou 90.
Tem tucunaré no Corumbá IV?
Tem, e em quantidade. No estudo da PUC Goiás, foi o terceiro peixe mais capturado, com 976 exemplares, e é o alvo dos torneios de pesca no lago.
Tem tilápia no Lago Corumbá IV?
Tem. A concessionária registra a tilápia Coptodon rendalli, de origem africana, como a única espécie exótica do lago. O estudo da PUC Goiás também achou tilápia-do-nilo.
Qual o peixe mais comum no Corumbá IV?
No monitoramento recente, o mandi-amarelo. No estudo de 2002 a 2009, que incluiu os rios, o curimbatá respondeu por 20% das capturas.
Há peixe ameaçado de extinção no lago?
Segundo a concessionária, nenhuma das 48 espécies registradas está nas listas de ameaçadas do Brasil ou da IUCN.



