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Tilápia no Lago Corumbá IV: pesca, criação e regras

A tilápia é a única espécie exótica registrada no Corumbá IV. Como pescar, o que a lei de Goiás permite e o que exige a criação em tanque-rede.

Redação LagoCorumba.com · 13 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Tilápia no Lago Corumbá IV: pesca, criação e regras
Foto: Bjørn Christian Tørrissen · CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

A tilápia é a única espécie exótica registrada no Lago Corumbá IV pelo programa de monitoramento da Corumbá Concessões, que opera a usina. A espécie identificada é a Coptodon rendalli, de origem africana. O levantamento de ictiofauna da PUC Goiás (tese de Fernanda Capuzo Santiago, 2011) com coletas de 2002 a 2009 no Rio Corumbá e afluentes, também encontrou 16 exemplares de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) entre 9.243 peixes amostrados.

Para o pescador, a regra de Goiás é simples: com licença, a tilápia pode ser pescada, abatida e transportada sem limite de tamanho ou quantidade, desde que não seja vendida. Soltar tilápia no lago, inclusive como isca viva, é proibido. As duas regras estão na Instrução Normativa nº 17/2026 da Semad.

Este texto trata da tilápia no reservatório: quais espécies existem, como pescar, o impacto de uma espécie de fora e o que a lei exige de quem quer criar tilápia em tanque-rede. As regras gerais de pesca no lago estão em Pesca no Lago Corumbá IV.

Quais tilápias existem no Corumbá IV

"Tilápia" é nome popular de várias espécies africanas da família dos ciclídeos, a mesma do tucunaré e do cará. Três delas aparecem na norma de Goiás para a bacia do Paranaíba, onde fica o lago.

EspécieNome popularRegistro no Corumbá IV
Coptodon rendalliTilápia-rendalli, tilápia-do-congoRegistrada pela concessionária como a única exótica do lago
Oreochromis niloticusTilápia-do-nilo16 exemplares no estudo da PUC Goiás
Heterotilapia buettikoferiTilápia-zebraListada na IN 17/2026 para a bacia; sem registro no lago nas fontes consultadas

A tilápia-do-nilo é a espécie de criação comercial no Brasil, a que aparece em peixaria e supermercado. A rendalli é mais comum em reservatórios antigos e se alimenta principalmente de plantas e algas. As duas são parecidas para quem não está acostumado; a rendalli costuma ter a barriga e a garganta avermelhadas.

A lista completa de espécies do lago, com os números do monitoramento, está em Peixes do Lago Corumbá IV.

Tilápia é exótica: o que isso muda

A tilápia é chamada de exótica porque vem de outro continente. O tucunaré, que veio da Amazônia, é alóctone: brasileiro, mas de outra bacia. A lei de Goiás trata as duas categorias do mesmo jeito na hora da pesca.

O que a IN 17/2026 permite

Pelo Art. 5º e pelo Anexo II da IN Semad 17/2026:

  • a tilápia pode ser capturada, abatida e transportada sem limite de tamanho e de quantidade;
  • a licença de pesca é exigida, como para qualquer peixe;
  • a venda do peixe pescado é proibida;
  • a cota zero, que impede levar peixe nativo pela estrada, não vale para ela.

Na piracema, de 1º de novembro a 28 de fevereiro, a pesca amadora fica proibida em Goiás. Em reservatório, só o pesque-solte esportivo continua liberado, e nem a tilápia pode ser retida. Datas e detalhes em Piracema em Goiás.

O que a IN 17/2026 proíbe

O Art. 7º da norma proíbe soltar no ambiente qualquer espécie exótica, alóctone ou híbrida. O mesmo artigo considera soltura o uso dessas espécies como isca viva. Na prática, quem pescar uma tilápia pequena não pode usá-la viva no anzol para tentar um tucunaré.

A ceva, que é jogar ração, milho ou massa na água para juntar peixe, também é proibida pela norma.

Por que soltar é proibido

Espécie de fora compete por comida e espaço com os peixes nativos. A tilápia se reproduz várias vezes por ano, protege os filhotes e come de tudo, de plantas a pequenos animais. Em reservatório, onde a água é parada, ela encontra ambiente favorável.

A Lei estadual nº 13.025/1997 prevê multa de até R$ 7.500 para quem introduz espécie exótica sem licença, além do abate dos animais. No plano federal, o Decreto nº 6.514/2008, no artigo 38, fixa multa de R$ 3.000 a R$ 50.000, mais R$ 20 por quilo, para a introdução de espécie sem autorização.

Pesca de tilápia no Corumbá IV

A tilápia é peixe de margem e de água rasa. Ela fica perto de vegetação aquática, capim submerso, pedras e trechos de fundo com lodo, onde encontra alimento. É pesca de barranco, de vara simples ou molinete, e serve para quem está começando ou pesca com criança.

Iscas para tilápia

IscaObservação
Massa (farinha, fubá, ração moída)Isca mais usada; presa no anzol, sem jogar na água
MinhocaPega tilápia e outros peixes de margem
Milho cozidoFunciona com a tilápia-do-nilo
Pedaço de folha ou capimUsado para a rendalli, que come planta

O anzol deve ser pequeno, porque a boca da tilápia é pequena. Boia leve ajuda a ver a beliscada. Quem quer apenas a carne deve pescar fora da piracema, com licença na mão.

O detalhamento de iscas e equipamento para tilápia, piau, traíra e curimba está em Iscas e equipamentos para pesca no lago.

Onde e quando

A tilápia é mais ativa com a água quente. No Corumbá IV, isso significa os meses de setembro a abril, com a ressalva da piracema. Em junho e julho, as noites frias do Planalto Central esfriam a água da margem, e a tilápia come menos.

Na seca, de maio a setembro, o nível do lago desce e a margem recua. Pontos de pesca de barranco mudam de lugar, e trechos que eram fundos viram rasos. O acesso à margem depende de onde você está: muitos trechos ficam em condomínios e propriedades particulares. O mapa mostra os condomínios e acessos ao lago.

Piscicultura: criar tilápia em tanque-rede

Criar tilápia em tanque-rede dentro de um reservatório não é o mesmo que pescar. É aquicultura, com regras próprias, e o morador de condomínio não pode instalar uma gaiola de peixe no lago por conta própria.

Quem autoriza

Depende de quem é dono da água. O Decreto federal nº 10.576/2020 regula a cessão de espaços em corpos d'água de domínio da União para aquicultura, inclusive em reservatórios de hidrelétricas. Pelo decreto:

  1. o interessado, pessoa física ou jurídica, apresenta projeto técnico à secretaria federal de aquicultura e pesca, com coordenadas, justificativa do local, sistema de produção e responsável técnico habilitado;
  2. o pedido passa pela Autoridade Marítima, que avalia a segurança da navegação, e pelo órgão de patrimônio da União;
  3. a outorga de uso da água é pedida à ANA pela própria secretaria, considerando a capacidade de suporte do reservatório;
  4. a secretaria controla a produção e a carga de fósforo de cada criação dentro do limite da outorga.

Em água de domínio estadual, a outorga é da Semad. Nos dois casos, a criação precisa de licenciamento ambiental e, em Goiás, de licença de piscicultura prevista na Lei 13.025/1997. A lei fixa teto de até R$ 450 para a licença de piscicultura de produção, com valor definido por ato da secretaria e atualizado todo ano. O valor vigente deve ser conferido na Semad (consulta em outubro de 2026).

Não encontramos, nas fontes públicas consultadas, registro de parque aquícola ou de cessão para tanque-rede no Corumbá IV. Quem tiver interesse deve consultar a Semad e a ANA sobre a dominialidade do trecho e a existência de estudo de capacidade de suporte do reservatório.

Por que o fósforo importa no Corumbá IV

A ração e as fezes dos peixes liberam fósforo na água, e excesso de fósforo favorece algas. O Corumbá IV é usado para abastecer o Distrito Federal e o Entorno, por isso a qualidade da água tem peso maior aqui do que em outros lagos. Os dados de monitoramento estão em Qualidade da água do Lago Corumbá IV.

Criação em tanque escavado no entorno

A concessionária apoia piscicultura fora do lago, em tanques. Pelo projeto Mãos Produtivas, produtores de Silvânia criaram tilápia em tanques escavados de junho de 2022 até a despesca, iniciada em abril de 2023, e venderam peixes de 500 a 900 gramas, segundo a Corumbá Concessões. O projeto também passou pelo Novo Gama e por Santo Antônio do Descoberto.

Em agosto de 2022, 12 moradores da comunidade Mato Grande, na zona rural de Luziânia, construíram em curso do Senar-GO um tanque elevado de ferrocimento de até 20 mil litros, que o dono da chácara pretendia usar para criar tilápia, segundo a concessionária. O instrutor estimou economia de até 40% em relação ao tanque de alvenaria.

Para quem tem chácara no entorno do lago, o tanque em terra firme é o caminho mais simples. A IN 17/2026 exclui da regra de pesca a aquicultura licenciada, mas o tanque segue exigindo cuidado: a água de descarte não pode levar peixe para o lago.

Perguntas frequentes

Tem tilápia no Lago Corumbá IV?

Tem. A concessionária registra a tilápia-rendalli (Coptodon rendalli) como a única espécie exótica do lago, e o estudo da PUC Goiás também achou tilápia-do-nilo.

Posso levar tilápia do Corumbá IV para casa?

Pode, com licença de pesca, sem limite de quantidade ou tamanho e sem vender, fora da piracema. De 1º de novembro a 28 de fevereiro, só o pesque e solte é permitido no lago.

Qual a melhor isca para pesca de tilápia?

Massa, minhoca e milho cozido em anzol pequeno, perto de vegetação e água rasa. Jogar ração ou massa na água (ceva) é proibido em Goiás.

Posso usar tilápia como isca viva?

Não. A IN Semad 17/2026 considera o uso de espécie exótica como isca viva uma forma de soltura, que é proibida.

Posso criar tilápia em tanque-rede no lago?

Só com projeto técnico, cessão de uso do espaço, outorga de água e licenciamento ambiental. A instalação por conta própria de tanque-rede no reservatório não é permitida.

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