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Qualidade da água do Lago Corumbá IV: o que dizem os estudos

UnB e Saneago estudaram a qualidade da água do Corumbá IV. Veja os resultados sobre cianobactérias, potabilidade e banho, sem alarmismo e com fontes.

Redação LagoCorumba.com · 13 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Qualidade da água do Lago Corumbá IV: o que dizem os estudos

A água captada no Lago Corumbá IV para abastecer o DF e o Entorno tem cianobactérias em quantidade alta, mas as toxinas produzidas por elas ficaram sempre abaixo do limite de potabilidade em 2023 e 2024. A conclusão é de técnicos da Saneago que analisaram 99 amostras no ponto de captação, em Luziânia, em trabalho apresentado no 33º Congresso da ABES, a associação brasileira de engenharia sanitária.

O mesmo estudo afirma que a densidade de cianobactérias indica degradação do manancial e que, em parte das coletas, a água ficou fora do padrão recomendado para recreação de contato. Um estudo anterior, da UnB, de 2020, tinha encontrado a água do reservatório em boas condições. Os dois resultados não se contradizem: medem coisas diferentes, em épocas diferentes.

O que encontrou a Saneago (2023 e 2024)

A Saneago monitora o lago desde 2022, quando ele passou a abastecer a população pelo Sistema Corumbá. As coletas seguem a Portaria GM/MS nº 888/2021, do Ministério da Saúde, que define o padrão de potabilidade da água no Brasil.

Os resultados de 99 coletas feitas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024:

IndicadorResultado
Densidade média de cianobactérias93.236 células/mL
Amostras abaixo de 10.000 células/mL1 de 99
Amostras acima de 100.000 células/mL39%
Amostras com cianotoxinas detectadas10%
Cianotoxinas acima do limite de potabilidadenenhuma

Os gêneros mais comuns foram Anathece, Aphanocapsa, Cyanodictyon, Planktolyngbya e Radiocystis.

Como ler esses números

As cianobactérias são microrganismos que vivem naturalmente em lagos e rios. Elas se multiplicam quando a água recebe excesso de nutrientes, como os que vêm de esgoto e de adubo, e quando faz calor. Algumas produzem toxinas, por isso a contagem é acompanhada de perto em mananciais de abastecimento.

Os autores usam como referência a Resolução Conama nº 357/2005:

  • Até 10.000 células/mL: pela Portaria 888, abaixo desse nível não é obrigatório pesquisar toxinas. No Corumbá IV, só uma amostra ficou abaixo dele.
  • Média de 93.236 células/mL: típica de manancial Classe 3, categoria de água que só pode ir para consumo humano depois de tratamento convencional ou avançado.
  • Acima de 50.000 células/mL: a água não é indicada para dar de beber a animais.
  • Acima de 100.000 células/mL: a água não é adequada para recreação de contato, como nadar. Isso aconteceu em 39% das coletas.

A conclusão dos autores é que a densidade de cianobactérias aponta para a degradação do manancial e que, "eventualmente", métodos de tratamento avançado serão necessários.

A água da torneira é segura?

Pelos dados publicados, sim. A água que sai do lago passa pela estação de tratamento do Sistema Corumbá, em Valparaíso de Goiás, operada pela Caesb. O estudo da Saneago informa que as cianotoxinas, quando apareceram na água bruta, ficaram sempre abaixo do limite fixado para a água potável.

O ponto de atenção está no futuro. Se a carga de nutrientes no lago crescer, o tratamento atual pode deixar de ser suficiente. É isso que os técnicos sinalizam quando falam em tratamento avançado.

Dá para nadar no Lago Corumbá IV?

Não há resposta única para o lago inteiro. O estudo da Saneago mediu a água em um único ponto, o da captação, em Luziânia. Em 39% das coletas, a densidade de cianobactérias ali passou do limite que a Resolução Conama 357 considera adequado para recreação de contato.

Isso não significa que todas as prainhas do lago estejam impróprias o tempo todo. A balneabilidade, no sentido técnico, é avaliada principalmente pela presença de bactérias de origem fecal, segundo a Resolução Conama nº 274/2000. Não encontramos boletim público e periódico de balneabilidade para as praias do Corumbá IV, nem da Semad-GO, nem das prefeituras.

Na dúvida, o bom senso ajuda:

  • evitar entrar na água quando ela estiver esverdeada, com espuma ou com cheiro forte;
  • não beber a água do lago;
  • avisar a Corumbá Concessões, pelo (61) 3462-5200, se encontrar peixes mortos.

Para conhecer as prainhas e o que fazer no lago, veja a seção de lazer.

O que mostrou o estudo da UnB (2020)

Uma dissertação de mestrado defendida na UnB em 2020, de Raiane Francy Costa Machado Silva, avaliou parâmetros físico-químicos em vários pontos do reservatório. As principais conclusões:

  • apesar da variação entre pontos e épocas, a água estava em boas condições e dentro dos limites da legislação;
  • não houve correlação estatística entre o uso do solo no entorno e os parâmetros de qualidade medidos;
  • os pontos perto de centros urbanos e de estações de esgoto tinham uma assinatura físico-química diferente dos demais;
  • a ocupação por empreendimentos sem saneamento, crescente desde o enchimento do lago em 2005, foi apontada como risco.

O estudo da UnB e o da Saneago usaram métodos diferentes. A UnB olhou parâmetros físico-químicos em vários pontos do lago; a Saneago contou cianobactérias e toxinas em um único ponto, com 99 coletas em 2023 e 2024.

Esgoto e ocupação das margens

A ocupação ao redor do lago dobrou em menos de duas décadas. Um artigo de pesquisadores da UnB publicado em 2025 na revista Geografares mediu a área urbanizada numa faixa de 1,2 km a partir das margens:

AnoÁrea urbanizadaMétodo
200619,96 km²base de referência do artigo
202339,32 km²MapBiomas
202353,27 km²mapeamento manual dos autores

Os dois números de 2023 vêm de métodos diferentes, e os autores apresentam ambos. A maior sobreposição entre ocupação e áreas que o plano ambiental do reservatório reservava para conservação está em Alexânia e Abadiânia.

Das 40 nascentes mapeadas na região pelo projeto Água Viva, em 2016, só 3 estavam preservadas, segundo a edição impressa do Correio Braziliense de 7 de abril de 2022.

Quem compra imóvel no lago pode conferir, na página de cada condomínio, se há informação sobre fossa, rede de esgoto ou estação de tratamento.

Enquadramento: a meta oficial para a água do lago

Em 18 de junho de 2026, o Comitê da Bacia dos Rios Corumbá, Veríssimo e da porção goiana do São Marcos (CBH CVSM) aprovou a proposta de enquadramento dos rios da bacia, na Deliberação nº 029/2026. O enquadramento define a qualidade que cada trecho de rio deve ter.

Pela proposta:

  • o rio Corumbá, da nascente até a foz, fica na Classe 2 nas três metas (2030, 2035 e 2045);
  • os trechos finais dos rios Areias e das Antas, que desembocam no reservatório, têm meta de Classe 3 até 2030 e de Classe 2 em 2035 e 2045.

Classe 2 é a categoria que permite nadar e abastecer a população após tratamento convencional. Como a média de cianobactérias medida pela Saneago é típica de Classe 3, a meta exige melhora. A deliberação ainda precisa de um programa de efetivação e da aprovação do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Para entender a fauna que depende dessa água, leia Peixes do Lago Corumbá IV. A localização dos pontos citados está no mapa.

Perguntas frequentes

A água do Lago Corumbá IV é boa?

A água tratada que sai do Sistema Corumbá atende ao padrão de potabilidade, segundo a Saneago. A água bruta do lago tem cianobactérias acima do desejável, e os técnicos veem sinais de degradação do manancial.

Pode nadar no Lago Corumbá IV?

Não há boletim oficial de balneabilidade para as praias do lago. No ponto de captação, em 39% das coletas de 2023 e 2024 a densidade de cianobactérias passou do limite recomendado para recreação. Evite água esverdeada ou com espuma.

O que são cianobactérias?

São microrganismos comuns em lagos e rios que se multiplicam com excesso de nutrientes e calor. Algumas produzem toxinas, por isso são monitoradas em mananciais de abastecimento.

Tem esgoto no Lago Corumbá IV?

A dissertação da UnB de 2020 identificou assinatura diferente na água perto de centros urbanos e estações de esgoto e apontou a ocupação sem saneamento como risco.

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