Sim. O Lago Corumbá IV abastece o Distrito Federal desde 6 de abril de 2022, quando a Caesb e a Saneago inauguraram o Sistema Produtor Corumbá. Na primeira etapa, o sistema capta 2,8 mil litros de água por segundo no lago para cerca de 1,3 milhão de pessoas no DF e em quatro cidades goianas do Entorno, segundo o Correio Braziliense e a Agência Brasil.
A água é dividida ao meio entre o DF e Goiás. O sistema foi planejado para chegar a 5,6 mil litros por segundo e atender até 2,5 milhões de pessoas quando estiver completo.
Quanto de água sai do lago e para quantas pessoas
| Etapa | Vazão | População atendida |
|---|---|---|
| Primeira etapa (em operação desde 2022) | 2,8 mil L/s | cerca de 1,3 milhão |
| Sistema completo (projeto) | 5,6 mil L/s | até 2,5 milhões |
Fonte: Correio Braziliense, 1º de abril de 2022.
Para dar escala: a estação de tratamento do Descoberto, principal fonte do DF, trata cerca de 4 mil litros por segundo, de acordo com a edição impressa do Correio de 7 de abril de 2022. O mesmo jornal informou que a primeira etapa do Corumbá foi dimensionada para durar pelo menos dez anos.
Em maio de 2022, o Jornal de Brasília registrou que o DF podia receber até 1,4 mil litros por segundo do novo sistema.
Quais cidades recebem água do Corumbá IV
No Distrito Federal
Segundo o Correio Braziliense, recebem água do sistema de forma direta:
- Gama
- Park Way
- Recanto das Emas
- Riacho Fundo II
- Santa Maria
Com as interligações da rede da Caesb, a água também ajuda a abastecer Águas Claras, Arniqueira, Núcleo Bandeirante, Taguatinga e Ceilândia. A Agência Brasil informou que o sistema beneficia indiretamente a região oeste do DF, porque libera água do Descoberto para outras áreas.
Em novembro de 2023, o GDF anunciou a Subadutora do Gama, com 25,5 km e capacidade de 700 litros por segundo, para levar mais água do Corumbá a mais de 340 mil moradores, segundo o Jornal de Brasília.
Em Goiás
Do lado goiano, a água chega a quatro cidades do Entorno:
- Luziânia
- Valparaíso de Goiás
- Cidade Ocidental
- Novo Gama
Em agosto de 2022, o governo de Goiás informou que a entrada em operação garantiu abastecimento a cerca de 29 mil famílias do Jardim Ingá, em Luziânia, e a cerca de 9 mil em Valparaíso.
Como funciona o sistema
A captação fica no lago, em Luziânia. A obra foi dividida entre as duas companhias de saneamento:
- Saneago: captação e estação elevatória de água bruta;
- Caesb: estação de tratamento, em Valparaíso de Goiás, e elevatória de água tratada.
A água tratada segue por adutoras até os reservatórios do DF e das cidades goianas. Em julho de 2024, a agência reguladora de Goiás (AGR) e a Adasa, do DF, reuniram-se com as operadoras para discutir um modelo de regulação compartilhada com as operadoras.
Mais de 30 anos entre o projeto e a torneira
O Sistema Corumbá custou cerca de R$ 440 milhões e levou mais de três décadas para sair do papel. A ideia original é de 1989, com o nome de Sistema Grande Luziânia. Em 2005, o enchimento do lago inundou o ponto de captação previsto e o projeto teve de ser refeito. A concepção atual é de 2006. O histórico é do governo de Goiás, que diz ter recebido a obra com 56% de execução e parada havia seis anos.
As fontes divergem sobre quando as obras começaram:
- o jornal O Hoje cita janeiro de 2009;
- o Correio Braziliense fala em 2011;
- a estação de tratamento em Valparaíso foi lançada em 2013, segundo o Jornal de Brasília.
Entre 2016 e 2019, a obra acumulou paralisações e promessas de entrega:
| Data | Situação relatada | Fonte |
|---|---|---|
| Set/2016 | DF arcaria cerca de 70% do custo | Correio Braziliense |
| Mar/2017 | 65% pronta; captação embargada por suspeita de superfaturamento | Metrópoles |
| Mai/2017 | Parada desde agosto de 2016; anúncio de retomada | Correio Braziliense |
| Jul/2018 | Entre 75% e 80% pronta, entrega prometida para dezembro | Correio Braziliense e Jornal de Brasília |
| Ago/2019 | Atraso por problemas fundiários nas linhas de transmissão | Correio Braziliense |
Na inauguração, o governador do DF, Ibaneis Rocha, disse que a obra já tinha sido "inaugurada cinco vezes" por governos anteriores, segundo o Jornal de Brasília. O Metrópoles falou em 16 anos de espera.
A crise hídrica que acelerou a obra
O DF passou por uma crise hídrica entre 2016 e 2018, com racionamento de água. Em setembro de 2016, o Correio Braziliense registrou que 15% da população do DF não tinha fornecimento regular, e o governo passou a tratar o Corumbá como a principal aposta para a segurança hídrica.
Na inauguração, o Correio descreveu o sistema como um antídoto contra um novo racionamento. Em maio de 2022, com o Corumbá em operação, o Jornal de Brasília informou que Descoberto e Santa Maria estavam com 99% da capacidade.
O lago e a qualidade da água captada
A captação no Corumbá IV é monitorada pela Saneago segundo a Portaria GM/MS 888/2021, que define o padrão de potabilidade no Brasil. Um estudo da companhia com amostras de 2023 e 2024 encontrou cianobactérias em quantidade alta na água bruta, mas toxinas sempre abaixo do limite para água potável. O tema está em Qualidade da água do Lago Corumbá IV.
A edição impressa do Correio de 7 de abril de 2022 lembrou que, das 40 nascentes mapeadas pelo projeto Água Viva em 2016 na região, só 3 estavam preservadas. A ocupação das margens e o saneamento dos condomínios são parte da discussão sobre o futuro do manancial. Veja também onde fica o lago e o mapa.
Perguntas frequentes
O Lago Corumbá IV abastece o DF?
Sim. Desde 6 de abril de 2022, o Sistema Produtor Corumbá capta água no lago e abastece cidades do DF e do Entorno goiano.
Quais regiões do DF recebem água do Corumbá IV?
Gama, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo II e Santa Maria de forma direta. Pelas interligações, Águas Claras, Arniqueira, Núcleo Bandeirante, Taguatinga e Ceilândia também são beneficiadas.
Quantas pessoas bebem água do Corumbá IV?
A primeira etapa, de 2,8 mil litros por segundo, atende cerca de 1,3 milhão de pessoas no DF e em Goiás. Completo, o sistema pode chegar a 2,5 milhões.
Quem opera o Sistema Corumbá?
A Saneago, de Goiás, cuida da captação e do bombeamento da água bruta. A Caesb, do DF, opera a estação de tratamento em Valparaíso de Goiás.



