Luziânia tem 279 espécies de aves registradas no WikiAves, o maior acervo brasileiro de fotos e sons de aves, com 1.478 registros enviados por 16 observadores. Alexânia soma 224 espécies em 975 registros, e Abadiânia, 225 espécies. Os números foram consultados em 13 de outubro de 2026.
Os três municípios dividem as margens do Lago Corumbá IV, e as listas mostram dois grupos de aves: as que vivem da água, como garças, biguás, socós e martins-pescadores, e as do cerrado em volta, como seriemas, tucanos, araras e gaviões. Para quem tem casa no lago, boa parte delas aparece sem sair do lote.
Aves aquáticas do reservatório
O espelho d'água de cerca de 173 km² e as margens rasas, com capim e galhos, atraem as aves que pescam. Estas aparecem nas listas do WikiAves dos três municípios:
| Ave | Onde foi registrada no WikiAves |
|---|---|
| Garça-branca-grande | Alexânia, Luziânia e Abadiânia |
| Garça-branca-pequena | Luziânia e Abadiânia |
| Garça-vaqueira | Alexânia e Luziânia |
| Garça-moura | Alexânia |
| Biguá | Alexânia e Luziânia |
| Biguatinga | Alexânia, Luziânia e Abadiânia |
| Socozinho | Alexânia, Luziânia e Abadiânia |
| Socó-dorminhoco | Alexânia e Luziânia |
| Socó-boi | Luziânia |
| Martim-pescador-grande | Alexânia e Luziânia |
| Martim-pescador-verde | Alexânia e Luziânia |
| Martim-pescador-pequeno | Alexânia, Luziânia e Abadiânia |
| Águia-pescadora | Abadiânia |
| Jaçanã | Alexânia, Luziânia e Abadiânia |
Garças
A garça-branca-grande é a mais fácil de reconhecer: alta, bico amarelo e pernas pretas, parada na beira à espera do peixe. A garça-branca-pequena é menor, tem bico preto e pés amarelos. A garça-vaqueira, também branca, prefere pasto e anda atrás do gado, o que explica ser a garça com mais fotos em Alexânia (sete). A garça-moura, cinza e grande, é mais rara nas listas.
Biguá e biguatinga
O biguá mergulha atrás de peixe e depois fica pousado em galho seco ou boia, de asas abertas para secar. A biguatinga, parecida mas de pescoço fino e longo, nada com o corpo submerso e só a cabeça para fora. As duas usam troncos e galhos secos dentro d'água como poleiro.
Socós
O socó-dorminhoco passa o dia parado em galho na margem e sai para pescar ao anoitecer. O socozinho é menor e pesca de dia, escondido na vegetação. Luziânia tem quatro fotos de socó-dorminhoco e cinco de socozinho no WikiAves.
Martim-pescador
Três espécies aparecem nas listas. O martim-pescador-pequeno, com sete fotos só em Luziânia, é o mais registrado. Ele pousa em galho baixo sobre a água e mergulha de cabeça. O martim-pescador-grande é o mais barulhento, com um grito seco que denuncia a presença antes de ele ser visto.
Outras aquáticas com registro: curicaca, irerê, pato-do-mato e marreca-ananaí. Em Abadiânia, há fotos de tuiuiú e colhereiro, aves que aparecem pouco no Planalto Central.
Aves do cerrado em volta do lago
Fora da água, as listas são dominadas pelas aves de campo e de cerrado. As mais fotografadas nos três municípios mostram o que o morador vê no dia a dia:
| Ave | Fotos no WikiAves (Alexânia / Luziânia / Abadiânia) |
|---|---|
| Tucanuçu | 18 / 15 / 11 |
| Periquito-rei | 14 / 19 / 8 |
| Seriema | 14 / 8 / 5 |
| Gavião-de-rabo-branco | 17 / 4 / 6 |
| Saracura-três-potes | 17 / 7 / 1 |
| Arara-canindé | 10 / 12 / 2 |
| Carcará | 6 / 10 / 3 |
| Curicaca | 9 / 10 / 3 |
| Gavião-carijó | 8 / 9 / 6 |
| Tucano-de-bico-preto | 5 / 9 / 8 |
| Coruja-buraqueira | 4 / 13 / 1 |
| Quero-quero | 5 / 5 / 1 |
Tucanos
O tucanuçu, de bico laranja enorme, é a ave mais fotografada de Alexânia no recorte acima. O tucano-de-bico-preto, menor, também aparece nos três municípios. Os dois frequentam árvores frutíferas de quintal e são mais fáceis de ver de manhã cedo.
Arara-canindé
Azul e amarela, a arara-canindé voa em casais ou pequenos bandos e se denuncia pelo grito. Faz ninho em ocos de palmeira morta, como o buriti, comum nas veredas da região. Tem 10 fotos em Alexânia e 12 em Luziânia.
Seriema
A seriema anda pelo chão em campo aberto e beira de estrada de terra, e seu canto alto se ouve a quilômetros pela manhã. No iNaturalist, é uma das aves mais registradas no entorno imediato do lago.
Quero-quero
Comum em gramado, campo de futebol e margem de lago. Defende o ninho no chão com voos rasantes e gritos. Em condomínio, a época de ninho pede atenção ao cortar a grama.
Gaviões e carcará
O gavião-carijó é o gavião de beira de estrada, pousado em poste e cerca. O gavião-de-rabo-branco caça em campo aberto. Luziânia tem 18 fotos de gavião-pedrês. Há também registros de gavião-caramujeiro, que se alimenta de caramujos de água doce, gavião-caboclo e, em Luziânia, do urubu-rei.
O que o iNaturalist mostra perto da água
A plataforma iNaturalist tem 68 espécies de aves registradas no recorte colado ao lago, entre 16,45° S e 16,03° S. As mais registradas são canário-da-terra (12), seriema (8), tucanuçu (8), coruja-buraqueira (7), periquito-rei (6) e arara-canindé (5). A lista inclui ainda trinta-réis-grande, andorinha-do-rio, savacu, garça-branca-pequena e coró-coró, aves ligadas à água.
Melhor horário para observar aves
As primeiras duas horas depois do nascer do sol são as mais produtivas. É quando as aves cantam, se alimentam e ficam mais expostas. O fim da tarde é a segunda melhor janela, principalmente para socós, corujas e bandos que voltam para os dormitórios.
No meio do dia, sobretudo na seca, a atividade cai muito com o calor. Na beira d'água, o ideal é ficar parado num ponto com vista para galhos secos e margem rasa, de costas para o sol.
Melhor época
Na seca, de maio a setembro, as árvores do cerrado perdem parte das folhas e as aves ficam mais visíveis. O céu limpo também ajuda nas fotos. Nessa fase, o nível do lago baixa e abre faixas de margem onde garças e socós pescam, como explica o guia sobre o nível do lago.
Na chuva, de outubro a abril, muitas espécies se reproduzem e cantam mais, mas a vegetação fechada e os temporais à tarde dificultam a observação. Manhãs de outubro e novembro, antes das chuvas pesadas, costumam juntar as duas vantagens. Para o clima mês a mês, veja o guia sobre o clima em Alexânia e no lago.
Onde observar
O melhor ponto é a própria margem, em prainhas, píeres e trechos com galhos mortos dentro d'água. Passeio de barco devagar, cedo, também permite chegar perto de biguás e garças sem espantá-los. Os acessos públicos e prainhas estão no guia de prainhas do Lago Corumbá IV e no mapa.
Algumas regras simples:
- Não entre na APP cercada fora das passagens existentes. A faixa de preservação é cercada em etapas pela Corumbá Concessões desde 2023.
- Não use playback, a reprodução do canto da ave em caixa de som, perto de ninhos.
- Não alimente aves silvestres nem retire ovos ou filhotes. Captura e comércio de fauna silvestre são crime pela Lei 9.605/1998.
- Mantenha os cães presos: quero-quero, seriema e coruja-buraqueira fazem ninho no chão.
Como contribuir com os registros
Qualquer pessoa pode enviar fotos ao WikiAves ou ao iNaturalist. Cada registro indica município e data, e isso ajuda pesquisadores a entender a fauna do reservatório, que não tem inventário de aves publicado pela concessionária. As listas completas por município estão no WikiAves, em páginas como a de espécies de Alexânia.
Para combinar observação de aves com outros passeios na região, veja o guia o que fazer no Lago Corumbá IV e o guia dos animais do Lago Corumbá IV, que trata dos mamíferos.
Perguntas frequentes
Quantas espécies de aves existem no Lago Corumbá IV?
Não há inventário do reservatório publicado. O WikiAves registra 279 espécies em Luziânia, 225 em Abadiânia e 224 em Alexânia, municípios que dividem as margens do lago.
Tem arara no Lago Corumbá IV?
Sim. A arara-canindé tem fotos no WikiAves em Alexânia, Luziânia e Abadiânia, e aparece entre as aves mais registradas no iNaturalist perto do lago.
Qual é a melhor hora para ver aves no lago?
Nas duas primeiras horas da manhã e no fim da tarde. No meio do dia, o calor reduz a atividade.
Que garças aparecem no Lago Corumbá IV?
Garça-branca-grande, garça-branca-pequena, garça-vaqueira e garça-moura têm registro nos municípios do lago, além de socós e biguás.
Seriema e quero-quero vivem perto das casas do lago?
Sim. As duas andam em campo aberto, gramados e beira de estrada de terra, e fazem ninho no chão. Manter os cães presos protege os ninhos.



