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Animais do Lago Corumbá IV: mamíferos e fauna do entorno

Lobo-guará, tamanduá-bandeira, capivara e mico-estrela vivem em volta do Lago Corumbá IV. Veja os registros, as espécies ameaçadas e quem chamar.

Redação LagoCorumba.com · 13 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Animais do Lago Corumbá IV: mamíferos e fauna do entorno
Foto: Jonathan Wilkins · CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Entre Anápolis e a divisa do Distrito Federal, a faixa onde fica o Lago Corumbá IV, a plataforma de ciência cidadã iNaturalist reúne 133 observações verificáveis de mamíferos silvestres, de 38 espécies, em consulta feita em 13 de outubro de 2026. A lista vai do mico-estrela, o mais fotografado, ao tamanduá-bandeira, ao lobo-guará e à anta.

O reservatório tem 783,7 km de perímetro e mais de 9.000 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) em volta, segundo a Corumbá Concessões, empresa que opera a usina. Essa faixa de mata e cerrado, somada a matas de galeria dos córregos e a fazendas, é por onde os bichos circulam entre os sete municípios do lago. Quem tem casa ou lote na região vai cruzar com eles na estrada de terra, no gramado e na beira d'água.

O que se sabe sobre a fauna do reservatório

O Estudo de Impacto Ambiental da usina é de 1999, a Licença de Operação do Ibama saiu em dezembro de 2005 e o plano de uso do entorno (Pacuera) foi aprovado em outubro de 2012, segundo o histórico da concessionária. O inventário de fauna desse EIA e os relatórios de monitoramento exigidos no licenciamento não estão publicados no site da empresa, que divulga ações de educação ambiental, fiscalização da APP e cercamento da orla. Por isso, este guia usa registros públicos de ciência cidadã e a lista oficial de espécies ameaçadas.

Os registros do iNaturalist são fotos ou sons enviados por moradores e visitantes e conferidos por outros usuários. Eles mostram presença, não tamanho de população. Um bicho com poucos registros pode ser comum e apenas difícil de fotografar, como os noturnos.

Mamíferos mais registrados na região

EspécieRegistros no iNaturalistSituação na lista nacional
Mico-estrela ou sagui-de-tufos-pretos26Não ameaçada
Tamanduá-bandeira9Vulnerável
Coandu (ouriço)8Não ameaçada
Macaco-prego7Não ameaçada
Lobo-guará6Vulnerável
Gambá-de-orelha-branca6Não ameaçada
Bugio-preto6Não ameaçada
Capivara4Não ameaçada
Veado-catingueiro4Não ameaçada
Quati3Não ameaçada
Anta3Vulnerável
Cachorro-do-mato2Não ameaçada

Fonte: iNaturalist, retângulo de 16,75° S a 15,85° S e 48,95° O a 48,05° O, sem o DF, consulta em 13/10/2026. Situação de ameaça pela Portaria MMA nº 148/2022.

Também aparecem cuíca-graciosa, tapiti, mão-pelada, jaguatirica, gato-mourisco (jaguarundi), raposa-do-campo, tatu-galinha e cutia. Há ainda registro de javali, espécie exótica e invasora.

Num recorte menor, colado ao espelho d'água, foram 16 observações de 8 espécies, entre elas tamanduá-bandeira, quati, mico-estrela, macaco-prego e coandu. Um tamanduá-bandeira foi fotografado em Silvânia, município do lago, em 13 de agosto de 2025 (registro no iNaturalist).

Lobo-guará

O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul e aparece em fotos de estrada e de câmera de fazenda em todo o Planalto Central. Quando o recorte inclui o DF, os registros sobem para 54. A espécie está na categoria Vulnerável da lista nacional. Anda sozinho, quase sempre ao entardecer e à noite, come frutos como a lobeira e pequenos animais, e foge de gente. Não ataca pessoas.

Tamanduá-bandeira

É o mamífero de porte grande mais fotografado perto do lago. Também é Vulnerável. Anda devagar pelo chão, tem visão fraca e costuma cruzar estradas, o que o torna vítima frequente de atropelamento. As garras são fortes: se for encurralado por pessoas ou cães, ele se defende em pé. A regra é manter distância e deixar a passagem livre.

Capivara

Maior roedor do mundo, vive em grupo perto da água e gosta de gramado na beira do lago. Tem poucos registros na faixa do reservatório no iNaturalist, mas 35 quando o recorte inclui o DF. Por causa do carrapato, é o bicho que mais gera dúvida em condomínio, assunto tratado no guia sobre capivara e carrapato no lago.

Veado-campeiro e veado-catingueiro

O veado-catingueiro, pequeno e de mata, tem quatro registros na faixa do lago. O veado-campeiro, de campo aberto, é mais raro: há seis registros no recorte maior com o DF e nenhum na faixa do lago. A subespécie do Brasil Central é Vulnerável.

Tatus

O tatu-galinha é o mais comum e cava tocas em barranco e pasto. No recorte maior aparecem também o tatu-de-rabo-mole e um registro de tatu-canastra, o maior deles, Vulnerável. Tatu cavando no lote costuma ser sinal de cupim e larva no solo.

Quati e mico-estrela

O mico-estrela vive em grupos nas árvores de quintal, inclusive dentro de condomínios, e é o mamífero mais registrado da região. O quati anda em bando, de dia, e é curioso. Os dois se acostumam rápido a comida humana, e por isso não devem ser alimentados.

Espécies ameaçadas que podem aparecer

A Portaria MMA nº 148/2022 classifica como Vulneráveis vários mamíferos do Cerrado com registro na região ou no Planalto Central:

  • lobo-guará;
  • tamanduá-bandeira;
  • anta;
  • raposa-do-campo;
  • gato-mourisco (jaguarundi);
  • veado-campeiro;
  • tatu-canastra.

Matar, caçar, perseguir ou capturar qualquer animal silvestre sem autorização é crime pelo art. 29 da Lei de Crimes Ambientais, com detenção de seis meses a um ano e multa. A pena aumenta quando a espécie está ameaçada. Em Goiás, a Lei estadual 14.241/2002 também proíbe a caça predatória, o transporte, a exposição, o consumo e o comércio de fauna silvestre sem autorização.

Atropelamentos nas estradas do lago

Não há levantamento público de atropelamento de fauna específico para as estradas do lago. O que se sabe vem do comportamento das espécies: tamanduá, lobo-guará, tatu e cachorro-do-mato cruzam vias ao entardecer e à noite, e a rodovia BR-060, que liga Brasília a Goiânia passando por Alexânia e Abadiânia, corta a região.

Nas estradas de terra que levam aos condomínios, a velocidade costuma ser menor, mas a poeira da seca e a falta de iluminação reduzem a visão. Três cuidados ajudam:

  1. Reduzir a velocidade ao anoitecer e ao amanhecer, quando a maioria dos mamíferos se move.
  2. Usar farol baixo em trecho de mata e olhar as margens, onde o reflexo dos olhos aparece antes do corpo.
  3. Não tentar desviar bruscamente em estrada de cascalho: frear em linha reta é mais seguro.

Se encontrar um animal ferido na pista, sinalize o local com o pisca-alerta, não pegue o bicho com a mão e acione os órgãos da lista abaixo. Para o trajeto até o lago, veja o guia como chegar.

O que fazer ao encontrar um animal silvestre no lote

A maior parte dos encontros não exige nada além de distância. Mamífero silvestre que entra num lote está, em geral, passando: atrás de água, de fruta ou de abrigo.

  • Mantenha distância e afaste crianças e cães. Não tente tocar, fotografar de perto ou encurralar.
  • Não ofereça comida. Animal alimentado volta, perde o medo, se aproxima de casas e acaba atropelado ou atacado por cachorro.
  • Deixe uma saída livre. Portão aberto e caminho limpo resolvem a maioria dos casos em minutos.
  • Não capture nem leve para casa. Filhote sozinho quase sempre tem a mãe por perto.
  • Peça ajuda quando o animal estiver ferido, preso em cerca, piscina ou garagem, ou parado no mesmo lugar por muito tempo.

A cerca da APP também influencia a circulação. Desde 1º de agosto de 2023, por determinação do Ibama, a Corumbá Concessões cerca a faixa de preservação em etapas e mantém passagens para pessoas e para animais beberem água. Bloquear essas passagens, ou abrir trilha nova pela APP, atrapalha o trânsito dos bichos. Quem vai cercar o próprio lote encontra orientações no guia sobre cerca, alambrado e muro.

Cães soltos e animais silvestres

Cachorro solto é uma das principais ameaças à fauna perto de casas. Cães perseguem tatu, cutia, filhote de veado e tamanduá, e podem sair feridos do confronto. O contato também facilita a troca de carrapatos e de doenças entre animais domésticos e silvestres.

Nos condomínios do lago, a regra mais simples é manter os cães dentro do lote, com cerca que eles não atravessem, e passear na guia. Muitos regimentos internos de condomínio já tratam do tema. A vacinação em dia e o controle de carrapato no cão protegem também a família.

Quem chamar

SituaçãoQuem acionar
Animal ferido, preso ou em riscoPolícia Militar pelo 190, que aciona o Batalhão de Polícia Militar Ambiental
Caça, armadilha, captura ou venda de animal silvestreLinha Verde do Ibama, 0800-618080, ou PM pelo 190
Desmatamento, fogo ou obra na APP do lagoLinha Verde do Ibama e Corumbá Concessões
Licença e fiscalização ambiental estadualSEMAD-GO, Secretaria de Estado de Meio Ambiente
Questões no municípioSecretaria de Meio Ambiente de Alexânia, Luziânia, Abadiânia ou do município do lote

A Linha Verde do Ibama é o canal indicado pela própria concessionária para denúncias ligadas ao lago, ao lado dos fiscais de bacia que percorrem o reservatório todos os dias. Em fevereiro de 2025, a empresa participou de uma operação conjunta com o Ministério Público de Goiás, o Batalhão Ambiental da PM e a secretaria de meio ambiente de Luziânia.

Ao ligar, informe o município, o condomínio ou a estrada mais próxima e, se possível, a localização do celular. Uma foto ajuda o atendimento a identificar a espécie.

Pressão sobre o habitat

A área urbanizada na faixa de 1,2 km em volta do reservatório dobrou entre 2006 e 2023, de 19,96 km² para 39,32 km², segundo estudo com dados do MapBiomas. Cada novo condomínio reduz o espaço de mata e aumenta o número de cães, carros e cercas na rota dos animais.

O fogo da seca também pesa. Entre junho e outubro, queimadas no Cerrado expulsam os bichos para estradas e lotes. A concessionária mantém orientações de prevenção a incêndios, e a regra básica para o morador é não queimar lixo nem restos de poda.

Quem gosta de observar fauna tem mais chance de sucesso nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde, em trilhas que margeiam mata de galeria. Os passeios e pontos de acesso ao lago estão no mapa e na página sobre o Lago Corumbá IV. As aves da região, com mais de 200 espécies registradas por município, têm guia próprio: aves do Lago Corumbá IV.

Perguntas frequentes

Tem lobo-guará no Lago Corumbá IV?

Sim. Há registros fotográficos de lobo-guará na região entre Anápolis e o DF, e a espécie é comum em todo o Planalto Central. É tímido, sai ao anoitecer e não ataca pessoas.

Quais animais vivem no Lago Corumbá IV?

Os registros públicos somam 38 espécies de mamíferos na região, com destaque para mico-estrela, tamanduá-bandeira, macaco-prego, coandu, lobo-guará, bugio, capivara, quati e veado-catingueiro.

O que fazer se encontrar um tamanduá-bandeira no lote?

Mantenha distância, prenda os cães e deixe uma saída livre. Se ele estiver ferido ou preso, ligue 190 para acionar a Polícia Militar Ambiental.

Pode caçar capivara ou tatu no entorno do lago?

Não. Caçar ou capturar animal silvestre sem autorização é crime pela Lei 9.605/1998, e a lei estadual de Goiás também proíbe a caça predatória e o consumo de fauna silvestre.

Para quem denunciar caça no Lago Corumbá IV?

Para a Linha Verde do Ibama, no 0800-618080, ou para a Polícia Militar pelo 190. A Corumbá Concessões também recebe relatos sobre a APP do lago.

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