O Distrito Federal viveu racionamento de água de janeiro de 2017 a 15 de junho de 2018, um ano e cinco meses, segundo a Agência Brasil. Foi o primeiro desde a década de 1960. A saída de longo prazo para o abastecimento passava pelo Lago Corumbá IV, em Goiás, cuja obra de captação já se arrastava havia anos.
O Sistema Produtor Corumbá só foi inaugurado em abril de 2022. Hoje ele leva água do lago para cidades do DF e do Entorno, e uma segunda etapa ainda não tem data publicada.
O racionamento e os números do Descoberto
O governo do DF decretou situação crítica de escassez em setembro de 2016. O racionamento começou em janeiro de 2017, com um dia de corte para cerca de 480 mil moradores de Recanto das Emas, Riacho Fundo II e parte de Ceilândia, e foi ampliado em 27 de fevereiro para as áreas atendidas pelo reservatório de Santa Maria, conforme a Agência Brasil. O esquema era de 24 horas sem água a cada sete dias.
Os níveis dos dois reservatórios mostram a gravidade:
| Data | Descoberto | Santa Maria |
|---|---|---|
| 16/01/2017 | 19% | 45% (fev/2017) |
| 07/11/2017 | 5,3% (mínimo histórico) | 21,6% (25/11/2017) |
| 16/01/2018 | 38,7% | 32,9% |
| 13/06/2018 | 92,9% | não informado |
Fontes: Agência Brasil, janeiro de 2018 e junho de 2018.
O consumo caiu junto. Pela mesma reportagem de junho de 2018, o gasto por pessoa passou de 189 litros por dia em 2014 para 129 litros em 2017. A Adasa anunciou o fim do racionamento em 3 de maio de 2018, quando o Descoberto passou de 90%, e o corte acabou em 15 de junho.
Por que o Corumbá IV entrou na conta
Em setembro de 2016, o Correio Braziliense já descrevia o Corumbá IV como a aposta do GDF para reforçar o abastecimento. O jornal registrava atrasos na obra desde 2001 e falava em 15% da população sem fornecimento regular.
O lago tem 173 km² e cerca de 3,7 trilhões de litros, segundo a Corumbá Concessões, empresa que opera a usina. Fica todo em território goiano, por isso a obra de água foi dividida entre a Caesb, do DF, e a Saneago, de Goiás.
A ideia de buscar água no rio Corumbá é antiga. O projeto nasceu em 1989 para atender a chamada Grande Luziânia, e a captação prevista originalmente foi inundada em 2005, quando o lago da usina se formou, segundo o Correio Braziliense. As obras do sistema atual começaram em 2011.
Enquanto o Corumbá não ficava pronto, o DF fez obras de emergência: a captação do Bananal, a estação de tratamento do Lago Norte e um reforço de bombeamento no Paranoá. As duas primeiras acrescentaram cerca de 700 litros por segundo cada, segundo a Agência Brasil.
A corrida para concluir o sistema
A obra parou e voltou várias vezes:
- Março de 2017: a obra estava 65% executada, e a captação estava embargada por suspeita de superfaturamento, informou o Metrópoles. A previsão era de água no fim de 2018.
- Maio de 2017: governadores e o Ministério das Cidades anunciaram a retomada, depois de paralisação desde agosto de 2016, segundo o Congresso em Foco e o Correio Braziliense.
- Julho de 2018: o Jornal de Brasília falava em 75% concluído; o Correio Braziliense, em 80%. Os dois previam entrega em dezembro daquele ano.
- Agosto de 2019: o Correio Braziliense relatava novos atrasos, ligados a questões fundiárias nas linhas de transmissão.
A previsão de dezembro de 2018 não se cumpriu. A inauguração veio mais de três anos depois.
A inauguração de 2022
O Sistema Produtor Corumbá foi inaugurado em 6 de abril de 2022, segundo a Agência Brasil. Na cerimônia, o governador do DF, Ibaneis Rocha, disse que o sistema "já tinha sido inaugurado cinco vezes" por governos anteriores, como relatou o Jornal de Brasília.
Pelos dados do Governo de Goiás e do Correio Braziliense:
- Primeira etapa: 2,8 mil litros por segundo, para cerca de 1,3 milhão de pessoas
- Capacidade final: até 5,6 mil litros por segundo, para cerca de 2,5 milhões
- Divisão: metade da água para o DF, metade para Goiás
- Quem faz o quê: a Saneago cuida da captação e da elevatória; a Caesb, da estação de tratamento
No DF, a água chega a Gama, Park Way, Recanto das Emas, Riacho Fundo II e Santa Maria. Em Goiás, chega a Luziânia, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Novo Gama. O Governo de Goiás citou 29 mil famílias no Jardim Ingá, em Luziânia, e 9 mil em Valparaíso atendidas na entrada em operação.
Depois da inauguração
Em maio de 2022, o Jornal de Brasília informou que o DF passaria a receber até 1,4 mil litros por segundo do Corumbá, com o Descoberto e Santa Maria a 99%.
Em novembro de 2023, o GDF entregou a Subadutora Gama, com 25,5 km e 700 litros por segundo, para levar a água do sistema a cerca de 340 mil moradores, segundo o Jornal de Brasília.
Em julho de 2024, a agência reguladora de Goiás (AGR) e a Adasa se reuniram com as operadoras para organizar a regulação compartilhada do sistema, conforme o Governo de Goiás.
A segunda etapa, que levaria a captação a 5,6 mil litros por segundo, não tem data pública de conclusão. O lagocorumba.com não encontrou anúncio oficial sobre ela em 2025 ou 2026.
O que isso muda para quem está no lago
O uso do Corumbá IV para abastecimento soma-se à geração de energia, à pesca e ao lazer. É por isso que a concessionária fala em "uso múltiplo" do reservatório, na visão geral da usina, e mantém uma faixa de preservação (APP) em volta do lago.
Para quem tem chácara ou frequenta a margem, a regra prática é respeitar a APP e as normas de ocupação de cada município. O guia do lago resume os dados técnicos, e as notícias reúnem o histórico do sistema.
Perguntas frequentes
O Lago Corumbá IV abastece o DF?
Sim. Desde abril de 2022, o Sistema Produtor Corumbá leva água do lago para cidades do DF, como Gama e Santa Maria, e do Entorno goiano. A água é dividida meio a meio entre DF e Goiás.
Quanto tempo durou o racionamento no DF?
Um ano e cinco meses: de janeiro de 2017 a 15 de junho de 2018, segundo a Agência Brasil.
Qual foi o nível mais baixo do Descoberto?
O reservatório chegou a 5,3% em 7 de novembro de 2017, o mínimo histórico registrado pela Agência Brasil.
Quanta água o Sistema Corumbá produz?
A primeira etapa tem 2,8 mil litros por segundo. A capacidade final prevista é de 5,6 mil litros por segundo, sem data pública para a segunda etapa.



