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Capivara e carrapato no lago: febre maculosa e prevenção

Goiás teve 29 casos confirmados de febre maculosa desde 2010, nove em 2024. Veja como lidar com capivara e carrapato no lote e no condomínio do lago.

Redação LagoCorumba.com · 13 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Capivara e carrapato no lago: febre maculosa e prevenção
Foto: Charles J. Sharp · CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Goiás registrou 29 casos confirmados de febre maculosa com infecção dentro do estado entre 2010 e 2026, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), consultado no TabNet do DataSUS em outubro de 2026. O ano com mais casos foi 2024, com nove. O Distrito Federal teve três casos com infecção local no mesmo período, dois deles em 2026.

Os números são baixos perto do país: o Brasil confirmou 410 casos em 2024 e 361 em 2023, a maioria no Sudeste. Mas a doença existe na região, é transmitida por carrapato e pode matar quando o tratamento atrasa. Para quem tem casa no Lago Corumbá IV, onde capivaras pastam no gramado à beira d'água, vale conhecer o risco e a prevenção.

Capivara no lago e nos condomínios

A capivara é o maior roedor do mundo e vive em grupos perto de rios, lagos e brejos. Come capim, por isso gramado com acesso à água funciona como pasto para ela. Nos registros de ciência cidadã do iNaturalist, a espécie tem 35 observações no recorte que vai de Anápolis ao Distrito Federal.

O crescimento dos condomínios em volta do lago aproximou as capivaras das casas. A área urbanizada na faixa de 1,2 km em volta do reservatório passou de 19,96 km² em 2006 para 39,32 km² em 2023, de acordo com um estudo baseado no MapBiomas. Gramado contínuo até a margem, sem mata, é o ambiente que a capivara procura.

Capivara não é agressiva, mas é um animal grande, que pode morder se for encurralada, sobretudo por cães. O principal problema sanitário não é o bicho, e sim o carrapato que ele carrega.

Carrapato-estrela e febre maculosa

A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada do carrapato, explica o Ministério da Saúde. No Brasil, duas espécies causam a doença. A Rickettsia rickettsii provoca a forma grave, a febre maculosa brasileira, registrada no Sudeste e no norte do Paraná. A Rickettsia parkeri causa quadros mais leves.

Em Goiás, a Secretaria de Estado da Saúde aponta os carrapatos do gênero Amblyomma como principais transmissores: o carrapato-estrela (Amblyomma cajennense), o carrapato-da-capivara (Amblyomma dubitatum, também chamado A. cooperi) e o Amblyomma aureolatum. Em pesquisas da SES-GO entre 2011 e 2015, o carrapato-estrela foi coletado em cães, pessoas, antas, cavalos, bois e no ambiente, e foram encontrados carrapatos com riquétsias do grupo da febre maculosa em Goiânia, Jandaia, Indiara e Gameleira de Goiás.

A secretaria registra ainda que, nas formas graves sem tratamento precoce, cerca de 80% dos casos evoluem para óbito.

Casos em Goiás

AnoCasos confirmados com infecção em Goiás
20101
20122
20152
20162
20173
20194
20202
20221
20249
20251
2026 (parcial)2

Fonte: Sinan/DataSUS, por unidade da federação de infecção. Anos sem linha não tiveram caso confirmado. Dados de 2023 em diante estão sujeitos a revisão.

Os primeiros casos confirmados no estado foram em Gameleira de Goiás, em 2010, segundo a SES-GO. Em 2022, a secretaria capacitou servidores de sete municípios do Entorno Sul para vigilância de febre maculosa, doença de Chagas e leishmaniose.

Sintomas e quando procurar atendimento

Os sintomas listados pelo Ministério da Saúde são febre, dor de cabeça forte, náusea e vômito, diarreia, dor abdominal e dor muscular. Com a evolução, aparecem manchas vermelhas nos pulsos e tornozelos que não coçam e podem se espalhar para palmas das mãos e solas dos pés.

O diagnóstico é difícil nos primeiros dias porque os sintomas lembram dengue, leptospirose e outras doenças. Por isso, ao procurar atendimento depois de dias no lago, diga ao médico que esteve em área com capivara, cavalo ou mato e se encontrou carrapato no corpo. O ministério orienta que o antibiótico seja iniciado já na suspeita, sem esperar o resultado do exame, e o tratamento é oferecido no SUS.

Prevenção no gramado e no lote

O carrapato espera o hospedeiro na ponta do capim. As medidas abaixo seguem as orientações do Ministério da Saúde e se aplicam a quem passa o fim de semana no lago:

  • Grama baixa. Mantenha o gramado aparado, sobretudo nas áreas de circulação entre a casa, o píer e a prainha. Evite deixar faixas de capim alto encostadas na casa.
  • Roupa clara. Em área de mato ou gramado com capivara, use calça comprida, camisa de manga longa e bota, com a barra da calça dentro da meia. Na roupa clara o carrapato aparece.
  • Repelente na pele exposta e na roupa, seguindo o rótulo.
  • Inspeção do corpo. Depois de andar no gramado ou na trilha, confira o corpo todo, com atenção a virilha, axilas, atrás dos joelhos, cintura e couro cabeludo. Faça o mesmo nas crianças.
  • Retirada correta. Use pinça, segure o carrapato rente à pele e puxe sem apertar o corpo dele. Não queime nem esmague. Quanto antes o carrapato sai, menor o risco de transmissão.
  • Roupas na água fervente. O ministério orienta ferver as roupas usadas em área de carrapato.
  • Pets. Cão e gato que circulam no gramado trazem carrapato para dentro de casa. Use carrapaticida veterinário e confira o pelo depois dos passeios.

Para o paisagismo, plantas nativas em canteiros, com áreas de grama menores e bem cuidadas, reduzem o capim alto perto da casa. O guia de paisagismo com plantas do cerrado traz opções.

Cerca e convivência com a capivara

Quem não quer capivara no gramado tem como opção a cerca. Uma tela baixa e bem fixada no chão, na divisa com a margem, impede a entrada do grupo. As opções de material estão no guia sobre cerca, alambrado e muro.

Antes de cercar, confira duas coisas. A primeira é a APP do reservatório: a faixa de preservação pertence à área da concessão e vem sendo cercada pela Corumbá Concessões desde agosto de 2023, por determinação do Ibama, com passagens mantidas para pessoas e para animais beberem água. Obra dentro da APP depende de autorização. A segunda é o regimento do condomínio, que pode definir altura e tipo de cerca, como mostra o guia de regras dos condomínios.

O que é proibido

Caçar, matar, perseguir ou capturar capivara é crime ambiental pelo art. 29 da Lei 9.605/1998, com detenção de seis meses a um ano e multa. A Lei estadual 14.241/2002, de Goiás, proíbe a caça predatória, o transporte, o consumo e o comércio de fauna silvestre sem autorização, além de atos de maus-tratos.

Alimentar capivara não aparece como crime nas leis citadas, mas é desaconselhado: o animal perde o medo, passa a procurar as casas e leva o carrapato junto. Vários condomínios proíbem a prática no regimento interno.

Também não cabe ao morador remover o grupo por conta própria. Se uma capivara estiver ferida, presa ou dentro de uma área construída, o caminho é acionar a Polícia Militar pelo 190, que encaminha ao Batalhão de Polícia Militar Ambiental, ou a Linha Verde do Ibama, no 0800-618080. Outras espécies que circulam em volta do lago estão no guia dos animais do Lago Corumbá IV.

Perguntas frequentes

Capivara transmite febre maculosa?

A capivara não transmite a doença diretamente. Quem transmite é o carrapato, e a capivara é hospedeira de carrapatos do gênero Amblyomma, os mesmos apontados pela SES-GO como vetores em Goiás.

Tem febre maculosa em Goiás?

Tem, com poucos casos. O Sinan registra 29 casos confirmados com infecção em Goiás entre 2010 e 2026, nove deles em 2024.

Como tirar carrapato da pele?

Com pinça, segurando rente à pele e puxando sem apertar o corpo do carrapato. Não queime nem esmague, e procure atendimento se surgir febre nos dias seguintes.

Como evitar carrapato-estrela no gramado?

Mantenha a grama baixa, use roupa clara e bota em área de mato, aplique repelente e confira o corpo e os pets depois de cada passeio.

Pode matar ou espantar capivara do condomínio?

Matar ou caçar é crime pela Lei 9.605/1998. Para impedir a entrada, a saída é cerca no lote, respeitando a APP e o regimento do condomínio.

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