Um vídeo gravado de moto aquática no encontro do Rio das Antas com o Lago Corumbá IV, em Goiás, passou de 300 mil visualizações no Instagram ao mostrar a água mudando de cor no trajeto. No trecho do rio, a água aparece amarronzada; à medida que a embarcação entra no reservatório, ela fica verde-escura. A gravação é da navegante Loys Brenda (@loysbrenda), e a repercussão foi noticiada em 9 de agosto de 2026 pelo Portal 6, de Anápolis.
Segundo o portal, muitos internautas acharam que a imagem era efeito de edição. Na legenda, a autora descreveu a navegação como memorável e disse que o encontro das águas sempre a encanta. A reportagem registrou a repercussão, mas não explicou a causa da diferença de cor.
O que explica a mudança
O fenômeno não é exclusivo do Corumbá IV. Ele aparece com frequência onde um rio desemboca num reservatório, e a explicação passa por três fatores.
Sedimento em suspensão. Um rio em movimento carrega partículas finas de argila, silte e matéria orgânica arrancadas das margens e do leito. Essas partículas espalham a luz e dão à água o tom barrento, mais claro e opaco.
Perda de velocidade. Quando o rio chega ao lago, a correnteza diminui bruscamente. Sem força para manter as partículas suspensas, a água deixa o sedimento afundar aos poucos. Por isso a transição costuma formar uma linha ou uma faixa de mistura, e não uma mudança instantânea.
Profundidade e vida na água. No corpo do reservatório, a água mais parada e mais funda deixa a luz penetrar de outro jeito. Parte da luz é absorvida em profundidade, e algas microscópicas e outros organismos dão o tom esverdeado. O resultado é a coloração verde-escura que aparece no vídeo.
A intensidade do contraste pode variar ao longo do ano. Na chuva, os rios chegam mais cheios e mais barrentos, e a faixa marrom avança mais para dentro do lago.
Por que isso importa para o lago
O sedimento que fica depositado na entrada dos rios é o mesmo processo que, em escala maior, provoca o assoreamento de reservatórios. Margens desmatadas e solo exposto aumentam a quantidade de terra que chega à água. É uma das razões pelas quais a faixa de Área de Preservação Permanente ao redor do lago deve manter vegetação nativa.
O Rio das Antas e os outros afluentes
O Lago Corumbá IV foi formado pelo represamento do Rio Corumbá. Além do Rio das Antas, o reservatório recebe água dos rios Areias, Descoberto e do Ouro, segundo o Portal 6. O lago se estende por municípios como Luziânia, Santo Antônio do Descoberto, Alexânia, Abadiânia, Silvânia, Gameleira de Goiás, Corumbá de Goiás e Novo Gama. A geografia do reservatório e seus braços estão descritos na página sobre o Lago Corumbá IV, e os pontos de acesso aparecem no mapa.
Cuidados na navegação
Encontros de rio com lago costumam ter troncos, galhos e bancos de areia trazidos pela correnteza, sobretudo depois das chuvas. Quem navega de lancha ou moto aquática nesses trechos deve reduzir a velocidade e redobrar a atenção. As exigências de habilitação, equipamentos e conduta estão no guia de regras para lancha e jet ski no Lago Corumbá IV.




