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Poço artesiano no Lago Corumbá: outorga, custo e água

Poço artesiano no Lago Corumbá IV: registro gratuito na SEMAD-GO, limite de vazão em condomínio, profundidade média na região, custos e análise da água.

Redação LagoCorumba.com · 13 de outubro de 2026 · 10 min de leitura

Poço artesiano no Lago Corumbá: outorga, custo e água
Foto: USDA NRCS Texas · Public domain, via Wikimedia Commons

Em condomínio residencial de Goiás, um poço artesiano só é considerado uso insignificante, e dispensado de outorga, se tirar no máximo 0,5 litro por segundo durante até 6 horas por dia. A regra está no folder de outorga da SEMAD-GO de 2026 e vale para os condomínios às margens do Lago Corumbá IV, em Alexânia, Luziânia, Abadiânia e nos demais municípios do reservatório.

A conta dá 10.800 litros por dia por poço. Para uma casa de fim de semana, é bastante água. Para um condomínio inteiro abastecido por um único poço, pode não ser, e aí o caminho é a outorga completa.

Água encanada pública é rara em volta do lago. Como mostra o guia de lotes no Lago Corumbá, a solução mais comum é o poço, individual ou coletivo. Este texto explica o que é cada tipo de poço, o que a lei exige, quanto fundo costuma ser preciso furar na região, quanto custa cada parte da obra e como saber se a água pode ser bebida.

Poço artesiano, semi-artesiano e cisterna: qual a diferença

No uso do dia a dia, "poço artesiano" virou nome de qualquer poço perfurado por máquina. Tecnicamente, há três situações:

  • Poço artesiano (jorrante): a água sobe sozinha e sai acima do chão, pela pressão do aquífero. É raro.
  • Poço semi-artesiano: a água sobe dentro do tubo, mas para abaixo da superfície e precisa de bomba. É o caso da maioria dos poços tubulares profundos do Entorno do DF.
  • Cisterna (poço raso ou amazonas): cavada em diâmetro grande, muitas vezes à mão, até encontrar o lençol freático. Pega a água mais superficial.

O estudo hidrogeológico do Zoneamento Ecológico-Econômico da RIDE (CPRM, Embrapa e Ministério da Integração, 2003) registra que a maior parte dos poços que exploram a camada superficial da região "é do tipo de grande diâmetro, escavado manualmente, conhecido regionalmente como cisterna". O mesmo estudo classifica a vulnerabilidade dessa camada à poluição como alta. É por isso que fossa e cisterna no mesmo terreno pedem atenção redobrada, assunto do texto sobre fossa séptica em lote no lago.

O poço semi-artesiano, ou tubular profundo, atravessa essa camada e capta água nas fraturas da rocha, mais protegida.

Quanto fundo e quanta água: o que dizem os poços da região

O mesmo levantamento da CPRM visitou 744 locais no Entorno do DF e cadastrou 490 poços com dados, somados a 178 poços do DF. Segundo o relatório, a maioria tem revestimento de 6 polegadas e 48% deles foram perfurados entre 70 e 120 metros de profundidade.

A água subterrânea da região está quase toda em rocha fraturada. O estudo dividiu essa rocha em grupos e calculou as médias de cada um:

Sistema aquífero (rocha fraturada)Profundidade médiaVazão média
Rochas cristalinas64 m3.400 L/h
Araxá75 m5.500 L/h
Bambuí104 m7.000 L/h
Canastra94 m9.100 L/h
Paranoá 3109 m10.000 L/h
Paranoá 4102 m12.000 L/h

Fonte: ZEE RIDE Fase I, volume 3, tabela 11.1 (CPRM/Embrapa, 2003).

Os números são médias de centenas de poços e não garantem o resultado de um furo específico. Do total com dados de profundidade, 60 poços ficaram com até 30 metros e 16 passaram de 180 metros. Na conclusão, o relatório cita "a relativa facilidade de se perfurar poços na região, a boa qualidade da água, o baixo índice de poços secos ou com vazões muito baixas".

Antes de contratar, consulte o SIAGAS, o banco de poços do Serviço Geológico do Brasil, que tinha 395.455 poços e fontes cadastrados em 13 de outubro de 2026. A pesquisa por município (Alexânia, Luziânia, Abadiânia) mostra a profundidade, a vazão e o nível da água de poços já perfurados nas redondezas. O perfurador sério também conhece os poços vizinhos e deve dizer, por escrito, a profundidade estimada.

Outorga ou registro: o que a SEMAD-GO exige

Em Goiás, a água subterrânea é bem público. A captação depende de autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), com base na Lei federal 9.433/1997, a lei das águas. O que muda é o tamanho do uso.

SituaçãoLimite por poçoDocumento
Condomínio residencial, área urbana ou periurbana0,5 L/s, até 6 h/diaRegistro de Uso Insignificante
Área rural1 L/s, até 14 h/diaRegistro de Uso Insignificante
Acima desses limitesconforme projetoOutorga de direito de uso

Fonte: Folder de outorga da SEMAD-GO, 2026.

O Registro de Uso Insignificante é descrito pela secretaria como "simples e gratuito". O caminho tem quatro passos:

  1. Criar cadastro no Portal do Meio Ambiente de Goiás.
  2. Cadastrar o imóvel.
  3. Entrar no Sistema Veredas.
  4. Pedir o Registro de Uso Insignificante ou a outorga.

As dúvidas são atendidas pelo WhatsApp (62) 98425-9666, pelo e-mail outorga.meioambiente@goias.gov.br e pela Gerência de Outorga, no (62) 3265-1309, segundo a página de outorga da SEMAD.

Quando o uso passa do limite, o processo é outro. A Instrução Técnica 002/2024 da Secretaria de Infraestrutura de Goiás, que orienta os poços das obras do próprio Estado, mostra o que entra: teste de bombeamento, análise da água, relatório técnico, ART do responsável e projeto de outorga assinado por geólogo, engenheiro geólogo ou engenheiro de minas. A perfuração pode começar com um Termo de Autorização Temporária, de um ano de validade, previsto na Instrução Normativa SEMAD 15/2021.

Na prática, peça ao perfurador que já entregue o poço com os dados que a SEMAD pede: localização, profundidade, vazão do teste e nível da água. Sem esse relatório, regularizar depois fica mais difícil.

Poço coletivo do condomínio ou poço individual

Muitos condomínios do lago resolveram a água com um ou mais poços coletivos, caixa elevada e rede interna. Para o proprietário, isso tem vantagens claras: o custo da perfuração é dividido, a manutenção da bomba fica com a administração e o terreno não precisa abrir espaço para poço e fossa ao mesmo tempo.

O ponto de atenção é a regularização. O limite de uso insignificante vale por poço. Um único poço que abastece dezenas de casas facilmente passa de 10.800 litros por dia. A conta usada em outro guia deste site, de 150 litros por pessoa por dia, mostra o tamanho: 20 casas com 4 pessoas consomem 12.000 litros por dia, sem contar piscina e jardim. Nesse caso, o condomínio precisa de outorga, não de registro simples.

Antes de comprar ou construir, pergunte à administração:

  • Quantos poços existem e se cada um tem registro ou outorga na SEMAD.
  • Qual a vazão de cada poço medida no teste de bombeamento.
  • Quando foi a última análise da água e quem fez.
  • Se a convenção permite poço individual no terreno.

A última pergunta pesa. Alguns condomínios proíbem poço particular para proteger o aquífero que abastece a rede coletiva. A página de condomínios reúne os empreendimentos da região, e o texto sobre a regularização pela Reurb explica por que a situação fundiária de cada um varia.

Quanto custa: o que entra na conta

Não existe tabela pública de preço de poço tubular profundo para particular em Goiás. A tabela de custos da Goinfra, usada em obras do governo, não tem esse item. O caminho é pedir orçamento a três perfuradoras com os itens separados, no mesmo formato que o Estado usa nas suas licitações:

  • Mobilização da máquina (cobrada por quilômetro).
  • Perfuração no solo, em diâmetro maior, até a rocha (por metro).
  • Perfuração na rocha, em 6 polegadas (por metro).
  • Revestimento em tubo de PVC (por metro).
  • Teste de bombeamento.
  • Análise físico-química e bacteriológica da água.
  • Relatório técnico, ART e documentação para a SEMAD.

Essa lista segue a planilha da Instrução Técnica 002/2024 da Seinfra. Comparar orçamentos por metro e por item evita surpresa quando o furo passa da profundidade prevista. Combine por escrito o que acontece se o poço sair seco ou com vazão menor que a esperada.

Para a cisterna, há referência oficial. A tabela de custos de obras civis da Goinfra, data-base junho de 2026, traz:

Serviço (Goinfra, T343, junho/2026)UnidadeCusto de referência
Abertura de poço (cisterna) de água potávelmetroR$ 267,47
Revestimento do poço (cisterna) com tubosmetroR$ 503,01
Laje circular com encabeçamentounidadeR$ 645,93

Fonte: Goinfra, Tabela de Custos Obras Civis T343, sem desoneração, data-base 01/06/2026.

Pela tabela, uma cisterna de 12 metros revestida e tampada fica em torno de R$ 9.900 em custo de referência de obra pública. O valor do mercado privado pode ser maior ou menor, conforme o terreno e a distância.

Bomba para poço artesiano

A bomba é escolhida pela vazão do poço e pela altura total que a água precisa vencer: do nível dinâmico dentro do poço até o topo da caixa d'água. Por isso o teste de bombeamento vem antes da compra.

Em cisterna e poço raso, a opção mais barata é a bomba submersa vibratória. Em outubro de 2026, a Anauger 650 de 340 W custava R$ 319,90, a 800 de 380 W, R$ 399,90 e a 900 de 450 W, R$ 439,90, na Telhanorte (consulta em 13/10/2026).

Em poço tubular de 70 a 120 metros, esse tipo de bomba não dá conta. O poço profundo pede bomba submersa de vários estágios, dimensionada pelo perfurador, com quadro de comando e proteção contra funcionamento a seco. Peça que o orçamento traga o modelo, a potência e a curva da bomba.

Duas observações locais. Bomba de poço consome energia todos os dias, e a ligação da Equatorial precisa estar pronta, como explica o guia de energia elétrica no lote. E a seca de maio a setembro derruba o nível da água em cisternas rasas; em poço profundo o efeito costuma ser menor, mas a bomba deve ficar abaixo do nível mais baixo medido no teste.

Filtro para poço artesiano e análise da água

Água de poço não é potável só por ser de poço. A norma brasileira de potabilidade é a Portaria GM/MS nº 888/2021 do Ministério da Saúde, que lista os parâmetros que a água para consumo humano precisa atender.

O roteiro prático:

  1. Análise antes de usar. Peça análise físico-química e bacteriológica em laboratório. A Seinfra exige as duas nos poços das obras do Estado.
  2. Repita uma vez por ano e sempre que a água mudar de cor, cheiro ou gosto, ou depois de obra de fossa por perto.
  3. Escolha o filtro pelo resultado. Filtro de ponto de entrada retém areia e sedimento. Um modelo de 720 litros por hora da Acqualimp custava R$ 219,90 na Telhanorte em 13/10/2026. Ferro, manganês ou bactéria pedem tratamento específico.
  4. Desinfecção simples. A Embrapa desenvolveu o clorador Embrapa, instalado entre a captação e a caixa d'água, para clorar a água de poços em propriedades rurais.

A distância da fossa conta tanto quanto o filtro. A norma da ABNT para tanques sépticos (NBR 7229) pede pelo menos 15 metros entre a fossa e poços freáticos. O ZEE RIDE lista as fossas sépticas entre as fontes de nitrato que contaminam a água na região. Desenhe o terreno com o poço no ponto mais alto e a fossa no mais baixo, longe um do outro.

Poço, cisterna ou caixa d'água abastecida por pipa

SoluçãoVantagemPonto fraco
Poço tubular profundoÁgua mais protegida, vazão estável na secaCusto maior e incerteza da perfuração
CisternaObra simples e barataMais exposta a contaminação e à seca
Caixa d'água com caminhão-pipaSem perfuraçãoCusto recorrente e dependência do fornecedor
Poço coletivo do condomínioCusto dividido e manutenção centralizadaDepende da gestão e da outorga do condomínio

Muitas casas do lago combinam soluções: poço para o dia a dia e uma caixa d'água ou cisterna para reserva. O custo de construir uma casa no lago também muda conforme a água já esteja resolvida ou não.

Checklist antes de perfurar

  • Confirmar na convenção do condomínio se o poço individual é permitido.
  • Consultar no SIAGAS os poços já perfurados no município.
  • Pedir três orçamentos itemizados por metro, com teste de bombeamento.
  • Exigir ART do responsável técnico e relatório com profundidade, vazão e nível da água.
  • Fazer o Registro de Uso Insignificante no Sistema Veredas, ou a outorga se o uso passar do limite.
  • Analisar a água em laboratório antes do primeiro uso.
  • Manter a fossa a pelo menos 15 metros do poço.

Perguntas frequentes

Precisa de autorização para fazer poço artesiano em Goiás?

Sim. Em condomínio residencial, o poço de até 0,5 L/s por até 6 horas por dia é uso insignificante e precisa só do registro gratuito na SEMAD-GO, pelo Sistema Veredas. Acima disso, é preciso pedir outorga.

Qual a profundidade de um poço artesiano perto do Lago Corumbá IV?

No cadastro da CPRM para o Entorno do DF, 48% dos poços ficaram entre 70 e 120 metros, e as médias por tipo de rocha variam de 64 a 109 metros. O SIAGAS mostra os poços já perfurados em cada município.

Qual o valor do poço artesiano?

Não há tabela pública para poço tubular profundo particular em Goiás. Peça três orçamentos com preço por metro, revestimento, teste de bombeamento e documentação separados. Para cisterna, a Goinfra indica R$ 267,47 por metro de abertura em junho de 2026.

Poço semi-artesiano precisa de bomba?

Sim. No poço semi-artesiano a água sobe dentro do tubo, mas não chega à superfície. Poço profundo usa bomba submersa de vários estágios, escolhida pela vazão e pela altura até a caixa d'água.

Água de poço pode ser bebida sem análise?

Não é recomendado. A potabilidade segue a Portaria GM/MS 888/2021, e só uma análise físico-química e bacteriológica em laboratório mostra se a água atende aos parâmetros. Repita a análise uma vez por ano.

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