Construir uma casa térrea de padrão normal em Goiás custava R$ 2.795,37 por metro quadrado em setembro de 2026, segundo o Custo Unitário Básico (CUB) calculado pelo Sinduscon-GO. No padrão baixo, o índice ficou em R$ 2.302,55; no alto, em R$ 3.430,67. Esses são os números de partida para quem quer erguer uma casa de fim de semana num condomínio do Lago Corumbá IV, mas não são o preço final: o CUB deixa de fora fundação, projetos, a margem do construtor e quase tudo o que encarece uma obra longe da cidade.
Este texto mostra a conta passo a passo, compara Goiás com o Distrito Federal e lista os custos que aparecem só quando a obra é num lote de condomínio à beira do reservatório, com estrada de terra e sem rede pública de água e esgoto.
Custo do metro quadrado de construção em Goiás: CUB e SINAPI
Dois índices oficiais medem o custo de construção por m² no estado. Eles usam métodos diferentes e servem para coisas diferentes.
CUB/GO (Sinduscon-GO)
O CUB é calculado todo mês pelo sindicato patronal da construção, seguindo a Lei 4.591/1964 e a norma ABNT NBR 12.721:2006. Ele parte de projetos-padrão (casa térrea, prédio popular, prédio de 8 e 16 andares) e orça cada um com preços de material e salários coletados no mercado goiano. Para casa unifamiliar, o projeto de referência é o R-1, em três padrões de acabamento.
| Padrão (projeto R-1) | CUB/GO set/2026 (R$/m²) | CUB/GO ago/2026 (R$/m²) |
|---|---|---|
| Baixo (R1-B) | 2.302,55 | 2.301,92 |
| Normal (R1-N) | 2.795,37 | 2.794,68 |
| Alto (R1-A) | 3.430,67 | 3.430,05 |
Fonte: tabelas do CUB/GO de setembro e agosto de 2026, Sinduscon-GO.
O valor de referência do sindicato (projeto R16-A, prédio alto padrão) subiu 5,29% no ano e 7,02% em 12 meses até setembro. A tabela também informa o custo médio da hora de trabalho usado no cálculo: R$ 14,46 para o pedreiro e R$ 9,54 para o servente.
SINAPI Goiás (IBGE e Caixa)
O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) é mantido pelo IBGE e pela Caixa e serve de base para orçamento de obra pública. Em setembro de 2026, o custo médio do m² em Goiás foi de R$ 2.023,62, sendo R$ 1.169,93 de materiais e R$ 853,69 de mão de obra, segundo a tabela 2296 do SIDRA/IBGE. A alta em 12 meses foi de 10,14%, acima da média nacional.
O salto veio em julho, quando o índice goiano subiu 2,58% num único mês, o maior aumento do país. Segundo o IBGE, citado pelo Mais Goiás, a causa principal foi o reajuste salarial dos trabalhadores da construção definido em acordo coletivo.
O SINAPI sai mais baixo que o CUB porque mede um conjunto de projetos mais simples e não inclui despesas administrativas que o CUB considera. Para casa de fim de semana com acabamento comum, o CUB R1-N é a referência mais próxima da realidade de uma obra contratada.
Goiás ou Distrito Federal: onde construir sai mais barato
Construir do lado goiano custa menos que em Brasília. Na comparação do mesmo mês (agosto de 2026), o CUB do DF calculado pelo Sinduscon-DF ficou acima do goiano nos três padrões:
| Padrão R-1 (ago/2026) | CUB-DF (R$/m²) | CUB/GO (R$/m²) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Baixo | 2.490,71 | 2.301,92 | DF 8,2% mais caro |
| Normal | 2.940,10 | 2.794,68 | DF 5,2% mais caro |
| Alto | 3.608,89 | 3.430,05 | DF 5,2% mais caro |
No SINAPI a diferença é pequena: R$ 2.056,50 no DF contra R$ 2.023,62 em Goiás em setembro de 2026. O material sai mais caro no DF (R$ 1.235,88 por m² contra R$ 1.169,93), e a mão de obra, um pouco mais cara em Goiás (R$ 853,69 contra R$ 820,62).
Na prática, quem constrói no lago fica no meio do caminho: a obra é em Goiás, mas boa parte do material e dos profissionais vem de Brasília, Luziânia ou Alexânia. O custo final depende de onde se compra e de quanto custa levar tudo até o lote. Os preços de cimento, areia, brita e bloco estão no guia de preço de materiais de construção em Goiás.
Quanto custa construir uma casa de 60, 100 e 150 m²
A conta básica é multiplicar a área construída pelo CUB do padrão escolhido. A tabela abaixo usa os valores de setembro de 2026.
| Área da casa | Padrão baixo (R$ 2.302,55/m²) | Padrão normal (R$ 2.795,37/m²) | Padrão alto (R$ 3.430,67/m²) |
|---|---|---|---|
| 60 m² (chalé ou casa de 2 quartos) | R$ 138.153 | R$ 167.722 | R$ 205.840 |
| 100 m² (3 quartos e varanda) | R$ 230.255 | R$ 279.537 | R$ 343.067 |
| 150 m² (3 a 4 suítes e área gourmet) | R$ 345.383 | R$ 419.306 | R$ 514.601 |
Cálculo: área x CUB/GO R-1 de setembro de 2026. Valores arredondados, sem os itens excluídos pela NBR 12.721.
Como ler essa tabela
O padrão não é o tamanho, é o acabamento. O R1-B tem piso cerâmico simples, esquadria básica e poucos pontos elétricos. O R1-N tem porcelanato ou cerâmica melhor, mais tomadas, forro e louças de linha intermediária. O R1-A supõe materiais de primeira linha. Os projetos-padrão da norma também têm tamanhos diferentes (o R1-B é uma casa pequena, o R1-A é bem maior), por isso o custo por m² de uma casa pequena com acabamento alto tende a ficar acima do índice: banheiro e cozinha concentram custo e pesam mais em área pequena.
Varanda conta. Casa de lago tem varanda grande, deck e churrasqueira. Área coberta entra na conta; a NBR 12.721 permite usar coeficientes menores para varanda e área descoberta, mas na prática o construtor costuma orçar a varanda com telhado quase pelo valor cheio.
O que o CUB não inclui. O próprio Sinduscon-GO lista o que fica de fora: fundações, projetos (arquitetônico, estrutural, de instalações), equipamentos como bombas e aquecedores, piscina, paisagismo, impostos, taxas e a remuneração do construtor. Num lote em declive, só a fundação e a contenção podem mudar a conta de forma relevante.
Da conta do índice ao orçamento real
Para sair do CUB e chegar a um orçamento, some à tabela:
- Projetos e responsável técnico: arquitetônico, estrutural, elétrico e hidrossanitário, mais a ART no CREA-GO ou o RRT no CAU. A taxa de ART em Goiás para obra acima de R$ 15 mil é de R$ 285,59 em 2026, pelo Ato Administrativo 04/2025 do CREA-GO. O honorário do profissional é negociado à parte.
- Fundação: depende da sondagem do solo. Em terreno de cerrado com argila e cascalho a fundação rasa costuma resolver; em encosta com aterro, pode exigir estaca ou viga baldrame mais robusta.
- Remuneração do construtor (BDI): se a obra for por empreitada global, o construtor soma despesas indiretas e lucro. Em obra administrada pelo próprio dono, esse custo vira tempo e risco de quem administra.
- Encargos e INSS da obra: obra com mão de obra contratada precisa de inscrição no Cadastro Nacional de Obras (CNO) em até 30 dias do início, segundo as perguntas frequentes da Receita Federal. O tema está detalhado no guia de mão de obra de pedreiro no Entorno do DF.
- Itens do lago: frete, água, energia e esgoto, explicados abaixo.
Custos extras de construir num lote de condomínio no lago
O CUB é calculado para obra urbana, com material entregue na porta e água e luz disponíveis. No Lago Corumbá IV, quase nada disso é garantido.
Frete de material e estrada de terra
Os condomínios ficam longe dos centros de distribuição de Brasília, e o último trecho costuma ser de estrada de terra (veja como chegar). Lojas de Brasília calculam o frete pela distância, e a entrega fora do DF precisa ser confirmada na compra; as de Alexânia e Luziânia ficam mais perto, mas nem sempre têm estoque de tudo. O caminhão de areia e brita tem preço por viagem, e o valor sobe com a distância. Na época de chuva, de outubro a abril, caminhão pesado pode não subir rampa de terra molhada, o que atrasa entregas e obriga a estocar material no lote.
Energia provisória
A Equatorial Goiás exige padrão de entrada instalado antes da vistoria e informa prazo de 10 dias úteis para ligação nova que envolva obra na rede. Ligação provisória só é pedida em agência presencial. Se o condomínio ainda não tem rede de média tensão chegando ao lote, a extensão vira orçamento à parte. Sem energia, a obra depende de gerador a diesel para betoneira, serra e bomba, o que soma combustível e aluguel.
Água para a obra: poço ou caminhão-pipa
Uma obra de alvenaria consome água todos os dias para argamassa, concreto e cura. Onde o condomínio não tem rede da Saneago, a água vem de poço tubular individual ou coletivo. Perfurar o poço antes da obra resolve a água do canteiro e da casa, mas exige outorga ou cadastro na SEMAD-GO. Sem poço, a saída é caminhão-pipa, que encarece a obra a cada carga.
Esgoto: fossa séptica e sumidouro
Sem rede de esgoto, cada casa precisa de fossa séptica com filtro e sumidouro dimensionados pela NBR 7.229 e NBR 13.969, respeitando a distância do poço e da faixa de APP do reservatório. É um item de obra com escavação, concreto e tampa de inspeção, ausente do CUB.
Mão de obra que vem de fora
Pedreiro de Brasília costuma incluir o deslocamento no preço ou pedir alojamento no lote. Profissionais de Alexânia, Abadiânia e Luziânia moram mais perto, mas a disponibilidade varia com a temporada. Quem não mora no lago perde dias de fiscalização, e erros de obra descobertos tarde custam mais caro para refazer.
Calendário: chuva e seca mudam o custo
No cerrado goiano, a seca vai de maio a setembro e a chuva, de outubro a abril. Terraplanagem, fundação e contrapiso andam melhor na seca, quando a estrada está firme. A desvantagem é que o concreto e a argamassa perdem água rápido no calor seco e precisam de cura molhada por vários dias. Começar a obra em abril ou maio costuma dar tempo de fechar estrutura e telhado antes das primeiras chuvas fortes de novembro.
Checklist antes de orçar a obra
- Pedir ao condomínio o regulamento de obras: recuo, altura máxima, taxa de ocupação, horário de trabalho, regras para entrada de caminhão e caçamba.
- Confirmar se o lote tem rede de energia na porta, poço coletivo e qual a regra para fossa.
- Conferir se o loteamento é regular na prefeitura e tem as licenças ambientais (veja ZREITA e regras dos condomínios).
- Fazer levantamento topográfico e sondagem antes do projeto estrutural.
- Pedir orçamento a pelo menos três construtores com o mesmo memorial descritivo, para comparar preço de verdade e não acabamento diferente.
- Separar no orçamento o que é CUB (casa) do que é infraestrutura (poço, fossa, energia, muro, terraplanagem).
- Prever reserva para variação de preço: o SINAPI goiano subiu 9,09% de janeiro a setembro de 2026.
Erros comuns de quem constrói casa de fim de semana
Orçar só pelo CUB. O índice é ponto de partida. Quem fecha orçamento multiplicando área por CUB costuma descobrir a fundação, a fossa e o poço depois de começar.
Comprar todo o material de uma vez em Brasília. O frete até o lago e as perdas por chuva em material estocado ao ar livre podem anular o desconto. Cimento empedra com umidade; areia e brita lavam em enxurrada.
Não registrar a obra. Obra sem CNO e sem aferição do INSS trava a averbação da construção na matrícula, o que complica venda, financiamento e inventário no futuro.
Esquecer o acesso. Lote com descida forte pode exigir rampa, muro de arrimo e drenagem antes da casa. Isso tem custo próprio.
Quanto custa construir uma casa: o que o número não diz
O CUB/GO de setembro de 2026 é o melhor indicador público do custo por m² em Goiás, e os valores mudam todo mês: o Sinduscon-GO publica a nova tabela até o início do mês seguinte. Para comparar condomínios pensando na obra, veja o mapa de condomínios e o guia de lote no lago, que reúnem o que perguntar sobre energia, água e acesso antes de comprar. Os valores deste texto foram consultados em 13 de outubro de 2026 e não incluem o terreno.
Perguntas frequentes
Quanto custa construir uma casa de 100 m² em Goiás?
Pelo CUB/GO de setembro de 2026, cerca de R$ 279.537 no padrão normal, R$ 230.255 no baixo e R$ 343.067 no alto. Fundação, projetos, BDI do construtor, poço e fossa ficam fora dessa conta.
Qual o custo do metro quadrado de construção em Goiás em 2026?
O CUB/GO de setembro de 2026 para casa térrea é de R$ 2.302,55 (baixo), R$ 2.795,37 (normal) e R$ 3.430,67 (alto). O SINAPI do IBGE, que mede projetos mais simples, marcou R$ 2.023,62 por m² no mesmo mês.
Qual a diferença entre CUB e SINAPI no custo de construção por m²?
O CUB é calculado pelos Sinduscons com base em projetos-padrão da NBR 12.721 e é usado no mercado imobiliário. O SINAPI é do IBGE e da Caixa, usa outro conjunto de projetos e serve de referência para obra pública e financiamento.
Construir no Lago Corumbá IV é mais caro que em Brasília?
O índice goiano é menor: em agosto de 2026, o CUB R1-N de Goiás estava 5,2% abaixo do DF. Mas frete, energia provisória, poço e fossa somam custos que uma obra urbana em Brasília não tem.
O CUB inclui mão de obra?
Sim. O CUB soma materiais, mão de obra, equipamentos e despesas administrativas. Não inclui fundação, projetos, impostos e a remuneração do construtor.
Quanto tempo leva para construir uma casa de fim de semana no lago?
Depende do tamanho e do calendário de chuva. Começar a obra no início da seca, em abril ou maio, permite fechar estrutura e telhado antes das chuvas de novembro, que dificultam o acesso por estrada de terra.



